A Repsol passou anos fazendo da Venezuela uma de suas maiores fontes de petróleo; agora, ela enfrenta um problema
Repsol e Venezuela: 15% de suas reservas no país mais instável do planeta; O petróleo bruto venezuelano é tão pesado e chega tão "sujo" que apenas empresas com décadas de experiência conseguem processá-lo
Em 14 de dezembro de 1922, o poço de petróleo Los Barrosos-2, na Venezuela, entrou em erupção, lançando um gêiser de petróleo bruto de 60 metros de altura que levou uma semana para ser contido. Como relembra a CNN, esse desastre ecológico colocou o país em uma trajetória de riqueza estonteante e turbulência política que culminou, um século depois, na captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas.
Enquanto Washington celebra a "Doutrina Donroe", um tipo diferente de tensão prevalece nos centros de controle das refinarias de Cartagena e Bilbao. Para a Espanha, a Venezuela não é apenas uma questão de política externa; é um rombo econômico de 1,16 bilhão de euros (cerca de R$ 7,2 bilhões).
Um déficit fora de controle
A relação comercial entre Espanha e Venezuela passou de uma troca equilibrada para um abismo financeiro. Segundo dados compilados pelo El Economista, em 2024 a Espanha registrou um déficit comercial de 1,16 bilhão de euros com a nação caribenha. É o triplo do valor de 2022 e o mais alto dos últimos 18 anos.
A causa é uma assimetria alarmante. Enquanto as vendas espanholas mal chegam a € 230 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão), suas compras multiplicaram-se por 22 desde 2021. A Espanha tornou-se o quarto maior cliente da Venezuela no mundo, atrás dos EUA, Índia e China. No entanto, não se trata de uma compra diversificada; 94,59% do que ela importa é petróleo e derivados.
Repsol: a joia em exibição
Se há um nome que se destaca neste conflito, é Repsol. Segundo a...
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