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Dia dos Povos Indígenas: projeto de samba Marujos Pataxó lança remix com o Tropkillaz

O projeto visa a reconhecer a influência indígena na criação do samba brasileiro e busca melhorar a qualidade de vida na Aldeia

19 abr 2024 - 16h22
(atualizado às 16h25)
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Marujos Pataxó
Marujos Pataxó
Foto: Elisa Braga / Elisa Braga

Marujos Pataxó, projeto de samba dos povos originários do sul da Bahia, lança remix com Tropkillaz, um dos mais impotantes nomes da música eletrônica brasileira. A faixa-título do recém-lançado álbum “A Força dos Encantados” chega hoje em uma versão dançante pelo selo ybmusic e patrocínio da Natura Musical.

Ouça o remix de “A Força dos Encantados (Tropkillaz version)”

Ouça o disco

"Pra gente foi uma honra poder participar desse projeto e poder aprender mais sobre a cultura Pataxó. A nossa ideia é sempre fazer algo que represente o nosso som, mas no caso deste remix também tivemos o cuidado de respeitar a cultura indígena e tudo que esse projeto representa", conta o Tropkillaz - dupla formada há mais de 10 anos por dois dos principais produtores musicais do Brasil, Zegon e Laudz.

O remix é um novo lançamento dos Marujos Pataxó, projeto que visa a reconhecer a influência indígena na criação do samba brasileiro. Além de fortalecer e divulgar essa forma musical única, busca melhorar a qualidade de vida na Aldeia através da arte, gerando emprego, renda e preservando a cultura tradicional Pataxó. O grupo se apresenta para o país todo compartilhando a memória, a luta e a cultura dos ancestrais de forma sustentável e global por meio da valorização de suas raízes na Aldeia Mãe Barra Velha, no sul da Bahia.

Presentes na formação do samba, as tradições percussivas e rítmicas do samba indígena seguem preservadas na Aldeia Mãe Barra Velha, no território Pataxó, onde a música é um ritual sagrado no qual os indígenas expressam sua fé e cultura com originalidade, passando de geração em geração através de músicas que retratam a natureza e a vida no campo. 

O território, que conta com o Parque Nacional do Monte Pascoal e fica tão perto de onde começou a invasão em 1500, foi o primeiro aldeamento do Brasil e já consta com 523 anos de resistência. Depois do trágico massacre ocorrido em 1951, houve uma diáspora do povo Pataxó por diversos pontos do país, que ainda enxergam aquela aldeia e região como parte de suas raízes. 

Um retrato da resiliência e da força, a cultura do povo Pataxó segue firme apesar de massacres, dores e de mais de quinhentos anos de invasões sofridas. O preconceito é uma forma constante e invisível de repressão, experimentada por muitos, mas debatida por poucos. A repressão ativa e violenta inclui a queima de casas, invasão de terras e até assassinato de indígenas. Permanecer nas terras, apesar de décadas de repressão cultural, é um ato de resistência em nome das gerações passadas e futuras. Por isso, o resgate cultural que ocorre por meio da valorização da identidade indígena é tão importante.

O álbum de estreia dos Marujos tem produção musical de Lenis Rino (Fernanda Takai, Matheus Aleluia, Tatá Aeroplano, Palavra Cantada), direção técnica de Tejo Damasceno (BNegão e os Seletores de Frequência, Sabotage, Instituto) e masterização de Fernando Sanches (Criolo, Baianasystem).

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