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Curta brasileiro é premiado com Urso de Prata em Berlim

"Manhã de Domingo", de Bruno Ribeiro, recebeu o Prêmio do Júri da competição oficial da Berlinale; o curta conta a história de uma pianista

16 fev 2022 18h40
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A protagonista Raquel Paixão, o diretor Bruno Ribeiro e a produtora Laís Diel
A protagonista Raquel Paixão, o diretor Bruno Ribeiro e a produtora Laís Diel
Foto: Dvulgacao

O curta braslleiro  "Manhã de Domingo" recebeu nesta quarta o Urso de Prata, ou o Prêmio do Júri oficial do Festival de Berlim 2022. Única produção do Brasil que concorria ao Urso de Ouro nesta 72ª edição do festival, o filme dirigido por Bruno Ribeiro levou o segundo prêmio principal da competição. 

Além de diretor, Bruno Ribeiro assina o roteiro do filme que tem produção executiva  de Laís Diel e  a pianista  Raquel Paixão como protagonista. "Dedico [o prêmio] para a minha mãe, que morreu durante a pandemia, mas que foi quem mais me apoiou para que eu me tornasse um cineasta", declarou o diretor Ribeiro quando recebeu seu Urso de Prata.

Na trama, Raquel Paixão que também é pianista, vive Gabriela, uma jovem pianista negra que irá se apresentar em seu primeiro grande recital. Mas um sonho com sua mãe, já falecida, desestabiliza Gabriela que, inquieta, passa a temer que sua apresentação seja um fracasso. Em uma narrativa sutil, mas forte, que ressalta a experiência sensorial tanto da personagem quanto do espectador,  Gabriela passa por vários encontros ao longo de um dia,  em uma jornada de reconciliação com suas memórias e sua mãe.

Na coletiva de imprensa após a premiação, Bruno afirmou que "este prêmio significa muito para mim mas para toda a equipe que o fez porque hoje no Brasil a gente vive uma situação muito complicada onde é muito difícil não só encontrar financiamento mas também porque temos um governo que ativamente tenta destruir nossa cultura e cinema. E acho que é muito importante não só para nós que estamos aqui e também mandar uma mensagem de que é possível fazer arte e perseguir seus sonhos."

Não por acaso, e sem auxílio público para representar o Brasil na Berlinale (como ocorreu em diversas outras edições de festivais internacionais com outros filmes, como parte da política pública cultural do governo brasileiro),  a equipe de "Manhã de Domingo", para viabilizar sua ida a Berlim,  realizou uma campanha de arrecadação de recursos ( doações online). 

Em "Manhã de Domingo", a pianista Gabriela lida com a ansiedade de uma importante apresentação e o luto pela perda da mãe
Em "Manhã de Domingo", a pianista Gabriela lida com a ansiedade de uma importante apresentação e o luto pela perda da mãe
Foto: Divulgação

Em entrevista ao Plano Geral, Bruno comentou ainda que "a gente entende o contexto que o Brasil está atravessando não só no cinema como na área cultural de forma geral. A gente acabou de abrir uma produtora; e estar aqui é importante não só no sentido de ser obviamente uma vitrine muito especial e enorme do nosso trabalho para o mundo. Mas também é um festival que abre muitas portas no sentido profissional, que talvez nos dê outras possibilidades para pensar a carreira da nossa produtora", comentou Bruno. 

"É a primeira vez que a gente participa da Berlinale. Então, a gente ainda está entendendo qual o peso de ter um filme na Berlinale, mas a gente pode sentir a partir destes dias aqui é que é realmente um lugar de abertura de horizontes e de  possibilidades para a gente", completou o diretor.

"O que a gente tem entendido, pela recepção e por tudo, é que nossa presença aqui tem sido muito política. Na Berlinale Shorts, nós somos 21 curtas. São dois curtas da América do Sul, o nosso e um do Peru também. A gente percebe a diferença. Ontem foi a exibição desse curta peruano. E a galera não consegue permanecer em peso aqui, com equipe e elenco e tudo. Enquanto os curtas europeus, e outros, as equipes estão em peso aqui", complementou a produtora Laís Diel.  

"E por onde a gente passa as pessoas falam da situação do Governo atual. Então, a gente entende que está sendo super importante e representativo estarmos aqui e, apesar de tudo, a gente está aqui representando nosso filme mas também uma classe que já tem sofrido há muito tempo", acrescentou Laís.

 O filme, rodado em 2019 no Rio de Janeiro e Magé tem a produção e distribuição da Reduto Filmes, onde Laís Diel atua ao lado de Adler Costa, Bruno Ribeiro e Tuanny Medeiros. 

Plano Geral
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