PUBLICIDADE

Vettel, o adeus do último piloto à moda antiga da F1

Vettel anunciou nesta quinta a sua aposentadoria da F1. De garoto franzino a multicampeão engajado, marcou sua presença na categoria

28 jul 2022 - 18h19
Ver comentários
Publicidade
Sebastian Vettel: o adeus do último piloto à moda antiga
Sebastian Vettel: o adeus do último piloto à moda antiga
Foto: Aston Martin F1 / Divulgação

Uma das certezas que temos da vida é que, além da morte e dos impostos, o tempo não para. A cada momento, ele derrete e sem perceber, nos devora. Hoje, tivemos um daqueles dias que marcaremos na história: o anúncio da aposentadoria de Sebastian Vettel.

Era algo que já se esperava que acontecesse a qualquer momento. Porém, quando veio foi algo que chamou a atenção. Primeiro, a criação do perfil no Instagram. E nesta quinta, veio o comunicado oficial.

Um filme passa diante dos olhos e logo vem a imagem daquele garoto franzino que estava andando na BMW Sauber. Pela postura e o discurso, já dava para notar que era diferenciado. Quando fez a façanha de vencer em uma encharcada Monza com a Toro Rosso em 2008, ali marcava que as coisas seriam diferentes para aquele piloto.

A Red Bull, que apostou nele, teve retorno logo. Vettel significou a renovação do time. Em 2009, após Newey ter conseguido botar o RB5 para funcionar com o difusor soprado e teve uma grande parte final de campeonato. A base para o futuro estava ali.

Então entre 2010 e 2013, houve o domínio. No primeiro ano, a vitória parecia improvável, mas veio. Posteriormente, houve um dos grandes casamentos entre piloto, carro e equipe. Muitos dizem jocosamente que só venceu por conta do carro. Embora a F1 seja um campeonato de engenharia para ver quem faz o melhor carro de acordo com as regras estabelecidas, é muito fácil reduzir a isso.

Quando foi anunciado o acordo com a Ferrari, parecia que o céu era o limite. Era o máximo para Vettel, um fã da categoria, que ia para a principal equipe da F1 e onde o seu grande ídolo Michael Schumacher virou Deus. Mesmo apreciando tudo e vivendo intensamente a experiência, inclusive apendendo italiano, não foi o que se esperava. Vettel foi engolido pela política e o modo de funcionamento da Ferrari.

Talvez o maior exemplo tenha sido em 2018, no fatídico GP da Alemanha. Após ter errado naquela pista meio seca, meio molhada, Vettel começou a ter que ser estrategista, chefe de equipe, engenheiro...e isso impactou no seu desempenho. Junte isso a não adaptação a um carro que não era ao seu estilo (a era híbrida não sorriu para Vettel), a coisa degringolou.

Mas no último ano na Rossa, Vettel passou a mostrar outras facetas. Além de ter mais uma vez um jovem leão ao seu lado, o alemão foi lançando suas atenções para bandeiras como racismo, proteção ao meio ambiente...coisas que Lewis Hamilton começou também a chamar a atenção. Vettel começou a construir um outro personagem: a do esportista engajado e que se preocupa com coisas que vão além do seu trabalho.

A ida para a Aston Martin foi decretada por muitos como um final de carreira. Mais um caso de piloto que não está mais no topo e começa a perambular por times menores. Em tese, não era uma má aposta: se a Force India/Racing Point fazia bons trabalhos com recursos reduzidos, por que não agora com dinheiro? Vettel poderia ser um elemento que poderia ajudar na construção deste novo time ser grande e disputar vitórias.

Não foi o que aconteceu. Muita gente boa acabou por querer aposentá-lo. Mas foi o bom Sebastian quem levou a Aston Martin a ter seus melhores desempenhos, mesmo com a situação complicada em termos técnicos e organizacionais. Talvez isto tenha ajudado a definir pela aposentadoria.

Vettel não foi sempre tido como o “cara legal”. Como esquecer a “satanização” ao Multi21 da Malásia 2013 e o famoso “Mr. Blue Flag” depois tantos rádios mostrando o piloto reclamando de retardatários. Mas os últimos anos foram da construção do Vettel engajado e além da F1.

Sebastian disse que ainda ama a F1 e que foi uma decisão difícil. Ele tem todo direito sim de querer se dedicar à família e outros interesses. 35 anos ainda permite fazer tanta coisa. Inclusive pilotar. Com certeza fará falta à categoria e lembraremos sim com muito respeito por tudo o que fez. Um verdadeiro racer na sentido da palavra. Um piloto com espírito antigo no meio da modernidade.

Danke, Seb!  

Parabólica
Publicidade
Publicidade