PUBLICIDADE

Por que a AlphaTauri F1 tende a renovar com Yuki Tsunoda?

Mesmo criticado por Helmut Marko, Yuki Tsunoda recebe elogios do chefe da AlphaTauri. Trabalho com psicólogo da Red Bull já começou

19 jul 2022 - 07h00
Ver comentários
Publicidade
Yuki Tsunoda, piloto da AlphaTauri
Yuki Tsunoda, piloto da AlphaTauri
Foto: AlphaTauri / Twitter

A AlphaTauri já confirmou que Pierre Gasly seguirá no time em 2023. Yuki Tsunoda, que está no comando do segundo carro, tem contrato apenas até o fim de 2022, de modo que a sua vaga ainda está em aberto para o ano que vem.

Tsunoda ganhou as manchetes após o GP da Grã-Bretanha, quando causou um acidente com o próprio companheiro de equipe e foi chamado de “criança problema” por Helmut Marko, chefão do grupo Red Bull.

Mas Franz Tost, responsável pela AlphaTauri, manifestou apoio a Tsunoda e deu a entender que pretende contar com o piloto para a próxima temporada – desde que o japonês não apronte mais: “Depende dele. Se ele mostrar uma boa performance, ele continua, se não, está fora. Simples.”, afirmou à Autosport. “Se ele continuar o que tem feito essa temporada, exceto a batida, acho que ele tem uma boa chance de seguir conosco.”

Sobre a declaração de Marko, Tost relativizou: “Eu gosto de ‘crianças problema’ porque esses são os garotos verdadeiramente bons que podem conseguir coisas maiores. Eu não gosto de crianças santinhas”.

E seguiu em defesa de seu piloto, explicando que um piloto jovem passa por oscilações em sua jornada de amadurecimento: “Yuki cometeu um erro, ele sabe e vai trabalhar nisso. Ele ainda está em processo de desenvolvimento. Ele é rápido, também foi rápido aqui [no GP da Áustria], e vai ser assim. Isso leva um pouco de tempo”

Trabalho com psicólogo já começou
Quando se referiu à Tsunoda como “criança problema”, Helmut Marko falou que a equipe havia providenciado um psicólogo para acalmar os ânimos do piloto. O japonês revelou que isso não é novidade, uma vez que também teve a ajuda de um psicólogo em parte de sua jornada até a F1 - e falou sobre como isso foi importante em seu desenvolvimento.

“Eu estava trabalhando com outro psicólogo na F2. Eu era muito feliz trabalhando com ele, e ele é parte do porquê eu fui capaz de chegar à Fórmula 1. Ele me ajudou a desenvolver meu desempenho, minha consistência.”

Tsunoda contou que já está se consultando com o novo profissional contratado pela equipe: “Eles contrataram novo psicólogo, diria, umas quatro corridas atrás”.

E, bem ao seu estilo, brincou com a situação e afirmou que ainda não vê resultado no trabalho: “Não sei se está funcionando ou não. Se estivesse funcionando bem, acho que talvez eu não teria batido [em Silverstone, com Gasly].” E, voltando a falar sério, prosseguiu: “Mas temos que dar um pouco mais de tempo, porque ele precisa me entender um pouco mais e precisamos entender que rumo vamos tomar.”

Tsunoda no GP da Áustria: dupla com Gasly pode se repetir pelo terceiro ano
Tsunoda no GP da Áustria: dupla com Gasly pode se repetir pelo terceiro ano
Foto: AlphaTauri / Twitter

Academia Red Bull em baixa?
A possível renovação de contrato de Tsunoda também pode indicar que a academia da Red Bull, celeiro de grandes pilotos nos últimos anos, não vive seu auge. Não que o japonês seja mau piloto ou mereça sair da equipe. O fato aqui é apenas que, apesar de haver bom material humano atrelado ao grupo na Fórmula 2, nenhum piloto está se destacando a ponto de merecer uma chance tão logo na categoria principal. Ninguém está “pedindo passagem”.

Juri Vips era, possivelmente, o primeiro da fila da academia. O estoniano chegou a fazer um treino livre pela Red Bull no GP da Espanha desse ano, utilizando o carro de Sergio Perez, mas foi dispensado pela equipe após usar um termo racista em uma live e parece ter estragado a própria carreira.

Dos quatro pilotos atrelados à academia atualmente na F2, o mais bem classificado é Jehan Daruvala, 4º, em sua terceira temporada na categoria. O indiano chegou a ter seu nome vinculado à F1 por alguns boatos, mas não se pode dizer que seja um piloto de grande impacto em sua trajetória de base.

Dennis Hauger, dinamarquês, é o 7º na F2, e talvez seja o de maior potencial da safra. Campeão das F4 alemã e italiana e da F3, ele está em sua primeira temporada na categoria de acesso e já acumula duas vitórias. Com 19 anos recém completos, é figura possível para 2024, a depender do que entregar em 2023.

O neozelandês Liam Lawson estreou na F2 com vitória em 2021, mas não repetiu o resultado ao longo da temporada. Começou 2022 também em destaque, porém, novamente perdeu fôlego é ocupa o 10º lugar. Tem potencial, mas ainda falta consistência para pensar em uma vaga na categoria principal.

Por fim, há o japonês Ayumu Iwasa, 13º na tabela da F2 em sua temporada de estreia na categoria. Rápido, ele chegou a entregar algumas boas atuações, mas, no momento, está longe na fila da F1.

Sem alguém que esteja voando e dando seta para a esquerda nos quadros da equipe, a renovação de Tsunoda se torna a opção mais óbvia. Ainda mais se ele focar em resolver o que ele próprio descreve como “começar a ficar com o cérebro quente dentro do carro”. Reconhecer um problema é o primeiro passo; o passo seguinte é tratá-lo: “Sei que tenho que melhorar essas partes para ter mais consistência. Espero que esse novo treinador trabalhe bem e possamos trabalhar bem, juntos, no futuro.”

Seguindo a cartilha da equipe e parando de “superaquecer o cérebro”, Tsunoda tende a se credenciar como a melhor opção para o quarto carro do mundo Red Bull para 2023.

Parabólica
Publicidade
Publicidade