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Hungria 1998: Schumacher vence com estratégia genial

Michael precisava se manter vivo no campeonato; para vencer, ele precisou de uma estratégia fantástica

29 jul 2021 13h19
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Schumacher em dia de grande desempenho para uma vitória  inesperada.
Schumacher em dia de grande desempenho para uma vitória inesperada.
Foto: Formula1.com / Divulgação

A temporada de 1998 foi talvez a melhor de Michael Schumacher. Ele não levou o título, mas conseguiu empurrar a decisão até a última etapa. Em muitos momentos teve que impedir que seu rival, Mika Hakkinen (McLaren) disparasse no campeonato e esse era o cenário do GP da Hungria, no qual o alemão chegou a Hungaroring com 16 pontos de desvantagem para o finlandês (a vitória valia 10 pontos na época).

Na qualificação, as coisas não pareciam muito animadoras: Schumacher foi apenas  o terceiro, atrás das duas McLaren. Hakkinen foi o pole, seguido por  Coulthard. A diferença de Mika para Michael foi de 0s393. Schumacher precisava largar bem e tomar a primeira posição, mas isso não aconteceu. Schumacher largou com pouco combustível - lembrando que na época existia reabastecimento - e pressionava Coulthard, enquanto Hakkinen abria na liderança. As paradas foram se aproximando e logo se percebeu que os três pilotos à frente tinham aberto uma boa distância para o quarto colocado, Damon Hill (Jordan).

Ross Brawn, diretor técnico da Ferrari, percebeu isso como uma chance. Eram esperadas duas paradas como estratégia padrão. Mas, para Schumacher, estavam previstas três. A Ferrari parou o alemão na volta 25, uma parada longa para um stint maior. Tudo  para não alertar a McLaren da variação da estratégia: a parada foi tão lenta que ele voltou atrás de Jacques Villeneuve (Williams), o que fez com que o alemão perdesse tempo. Na volta 27, Coulthard parou, voltando logo à frente de Villeneuve e na volta 28, foi a vez de Hakkinen.

Villeneuve parou na volta 31,o que deixou a pista  livre para Schumacher voltar a atacar.  O ritmo era bom, mas ele ainda estava preso atrás do britânico da McLaren. Na volta 43, Michael voltou para sua segunda parada e, a partir daquele momento, ficou claro que ele teria que parar novamente. Apenas 6,5 segundos de trabalho e Ross Brawn mandou o recado para Michael :  tinha 19 voltas para abrir 25 segundos para os carros da McLaren a fim de que conseguisse parar e voltar na frente. Resumindo: o alemão precisava realizar 19 voltas em ritmo de qualificação.

Schumacher comemorando sua 32° vitória na carreira.
Schumacher comemorando sua 32° vitória na carreira.
Foto: Formula1.com / Divulgação

Coulthard parou na volta 43 e a McLaren preferiu manter sua estratégia: colocou combustível para que o britânico fosse até o final, o que permitiu ao alemão subir para a segunda posição. Schumacher imprimiu um bom ritmo, e quando Hakkinen parou na volta 46, voltou  em segundo lugar. Agora Schumacher tinha pista livre para tentar fazer sua estratégia valer. Para sua sorte, Hakkinen começou a ter problemas na suspensão dianteira e seu ritmo caiu. Coulthard começou a pressionar o companheiro de equipe na volta 47, mas a ordem de equipe demorou a chegar e apenas na volta 52, o britânico passou para segundo.

Agora a briga era direta apenas entre Schumacher e Coulthard. No momento em que o britânico pulou para segundo, estava 10s987 atrás do alemão. A diferença na volta anterior era de 13 segundos, mas Schumacher errou na última curva, saindo da pista, então ela caiu. Ainda era necessário abrir 14 segundos para conseguir nas próximas 10 voltas e ele fez: no fechamento da volta 61 a vantagem já era de 26s903 e na volta 62, Schumacher fez sua parada, voltando tranquilamente na frente de Coulthard.

Foi só administrar nas últimas 11 voltas para vencer, enquanto Hakkinen estava com problemas de ritmo, caindo para sexto. A diferença no campeonato reduziu para sete pontos, mantendo Michael na briga pelo título. A próxima etapa do campeonato foi o caótico GP da Bélgica, que ainda vai ser relembrado aqui.

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