Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Ativismo x negócios: a F1 se pega em suas contradições

Embora se abra a questões como representatividade e sustentabilidade, a F1 tem seus compromissos com parceiros “duvidosos”. Como equilibrar?

16 mar 2022 - 11h47
Compartilhar
We Race as One: a F1 tenta se abrir enquanto segue faturando
We Race as One: a F1 tenta se abrir enquanto segue faturando
Foto: @sebvettelnews / Twitter

Não é de hoje que a F1 tenta ter uma postura mais “arejada” em relação a diversos aspectos da vida moderna. Dentro da estratégia de tornar a F1 mais próxima do público, a Liberty Media começou a tomar posturas para que a categoria se adequasse aos novos tempos. O primeiro sinal de mudança foi o banimento das grid girls. Posteriormente, vieram campanhas para a redução de emissões, racismo e outras formas de discriminação, o famoso “We Race As One”.

Entretanto, como em outros esportes, o espaço para a veiculação de posicionamentos políticos sempre foi estritamente controlado. E não podemos ignorar o fato de que, no caso da F1, este ponto sempre foi olimpicamente ignorado. Nos últimos tempos, especialmente Lewis Hamilton e Sebastian Vettel tem sido expoentes de um maior posicionamento sobre tudo que os cerca e acontece no mundo.

No ano passado, já tivemos um caso em que Hamilton usou uma blusa questionando sobre os policiais que haviam matado Breonna Taylor nos Estados Unidos. Isso provocou uma sacudida interna e mereceu inclusive uma emenda no Regulamento Esportivo proibindo este tipo de ação.

Agora, na última revisão do Regulamento Esportivo emitida no último dia 15, a FIA incluiu uma cláusula estabelecendo que os pilotos deverão manter o macacão vestido na cerimônia do pódio e nas entrevistas pós-corrida, além de só poderem usar o uniforme da equipe nas entrevistas para a TV e no pós-corrida.

Claro que há o aspecto financeiro em jogo. Afinal de contas, as empresas pagam milhões de dólares todo ano para terem suas marcas expostas e atreladas a pilotos e equipes. No momento de maior exposição, nada mais justo do que valorizar quem está pagando a conta, correto? Até aí, tudo bem.

Mas não dá para ignorar o fato de que a F1 tenta restringir que os pilotos usem destes momentos para divulgar suas causas ou mensagens. Vettel e Hamilton fizeram isso nos últimos tempos e esta é uma forma de “evitar” que isso se repita. Também temos que reconhecer que o Campeonato Mundial de F1 é organizado por entidades de foro privado e podem estabelecer as suas regras. Quem não está a favor, que se retire ou cumpra com as penalidades estabelecidas para a quebra das normas.

Nisso tudo, a F1 tenta se equilibrar em ser mais “moderna” e cumprir seus objetivos de faturamento. Não podemos esquecer que a F1 já correu (e ainda corre) em países de regimes “fortes” e no auge do Apartheid na África do Sul. Atualmente, ao mesmo tempo em que entra na onda de sanções ocidentais contra a Rússia, aprofunda laços com países do Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, reconhecidamente um país extremamente rígido. Sem contar os próprios contrassensos ocidentais...

Mesmo que pessoalmente não concorde, F1 e a FIA estão no seu direito de restringir este tipo de coisa. Como também sou favorável que os pilotos, caso tenham vontade e se sintam à vontade, que se posicionem e defendam as causas que lhe são justas (cada um tem a sua noção de justiça e arque com ela). Um equilíbrio é possível? Sim. Mas é preciso coragem para tal. Estaria a Liberty disposta? Estaria a FIA com intenção de deixar seu posicionamento seletivo? Mas e como se pagam as contas do baile? Um fato é: dar cavalo de pau em um transatlântico é algo bem complicado…

Parabólica
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra