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30 anos atrás, a última mulher titular na F1

Na temporada de 1992, a Brabham alinhou a italiana Giovanna Amati na esperança de chamar a atenção e sobreviver na F1.

8 mar 2022 - 12h18
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Giovanna Amati: a última mulher titular na F1
Giovanna Amati: a última mulher titular na F1
Foto: @unracedf1 / Twitter

No Dia Internacional da Mulher, cabe lembrar que exatamente 30 anos atrás, foi a última vez que uma mulher foi inscrita oficialmente como titular de uma equipe de F1. Susie Wolff fez alguns treinos entre 2014 e 2015, mas não teve a oportunidade de participar efetivamente dos GPs.

A Brabham começou a temporada de 1992 sendo uma pálida sombra do seu passado. Após perder os apoios japoneses e os motores Yamaha, a equipe juntou seus trapos e pegou um empréstimo de US$ 10 milhões para fazer o campeonato. Para se ter uma ideia, o orçamento das grandes era simplesmente 6 vezes maior.

A vantagem que tinham era que, por ter pontuado em 1991, a equipe teria as despesas de transporte pagas pela FOCA (Associação de Construtores) e não participaria da mal-amada Pré-Qualificação nas sextas-feiras de manhã. Mas, por conta da realidade financeira, a opção foi dar uma ligeira mexida no BT60 do ano anterior, o transformando em uma versão B. Boa parte do trabalho foi para adaptar o Judd V10, que era a opção das equipes sem muito recursos, que entrava no lugar do Yamaha V12.

Para ajudar a fechar as contas, a estratégia de contar com pilotos pagantes era a principal. Muitas opções passaram, incluindo um pacote mexicano que incluiria o patrocínio da cervejaria Corona. No final, o time fechou com o belga Eric Van de Poele, que havia andado na Lambo/Modena no ano anterior e o campeão da F3000 japonesa, Akihiko Nakaya.

Entretanto, a FIA não concedeu a Superlicença ao japonês  por considerar que a F3000 nipônica não se enquadrava como categoria de acesso para a F1. E olha que naquela época, os critérios para concessão eram bem mais baixos do que os atuais...

Perto da temporada começar, a Brabham anuncia um nome que causou espanto: a italiana Giovanna Amati. Era uma forma de chamar a atenção para tentar atrair novos patrocinadores e arrecadar alguns cobres para fazer o ano. E marcava a volta de uma presença feminina na categoria desde que a britânica Desirée Wilson tentou alinhar para o GP da Grã Bretanha de 1980 (Wilson alinhou para o GP da África do Sul de 1981, mas este não contou pontos para o campeonato). 

Amati vinha de uma família de posses na Itália (seu pai era dono de uma cadeia de cinemas e sua mãe, uma famosa atriz) e começou seu interesse por corridas pouco antes dos 20 anos. Quem a levou para ter aulas de pilotagem foi Elio de Angelis, um amigo da família. Desde 1981, começou nas categorias de base na Itália, sem muito destaque. Em 1985 e 1986 correu na F3 local, disputando com nomes como Nicola Larini e Stefano Modena. 

Amati e a Brabham BT60B: Judd em Kyalami 1992
Amati e a Brabham BT60B: Judd em Kyalami 1992
Foto: @unracedf1 / Twitter

Mesmo sem resultados relevantes, passou para a F3000 Internacional em 1987, obtendo 2 décimos lugares. Se manteve na categoria em 1988, sem resultados notáveis e foi tentar a sorte na F3000 japonesa em 1989.  Voltou para a F3000 internacional em 1990 e seguiu sem pontuar, o mesmo acontecendo em 1991. Neste ano, por suas ligações com Flavio Briatore, deu 30 voltas em um teste na Benetton.

Por conta deste currículo, causou estranheza a aprovação de Amati e a negativa à Nakaya. Mas como existem coisas que não tem muita explicação, especialmente na F1, a Brabham iria alinhar na África do Sul com Van de Poele e Amati.

As coisas não estavam em termos maravilhosos. Se o belga ainda conseguiu fazer um teste, o carro de Amati foi terminado nos boxes de Kyalami, que retornava ao calendário da F1 em 1992. Como se tratava de uma pista nova, naquela época havia um treino livre na 5ª para reconhecimento. Amati foi a grande atração nos boxes e na pista, por conta das várias rodadas. Era uma tarefa inglória: era um carro novo, que ela não conhecia e uma pista extremamente suja. Mesmo com todo o trabalho ao longo do final de semana,, Amati terminou em último lugar, 4 segundos atrás do seu companheiro Van de Poele, que obteve o último posto do grid e 9 segundos atrás do pole position Nigel Mansell.

No México, as coisas não melhoraram muito. O Brabham era um carro ultrapassado, que não contava com um dos melhores motores do grid e sofria com problemas de estabilidade. Não podia negar que um esforço vinha sendo feito, mas não foi o bastante. As duas Brabham não se classificaram e a italiana fez mais uma vez o último tempo, ficando 3 segundos atrás do seu companheiro de equipe.

Quando chegou ao Brasil , o clima não era dos melhores. O dinheiro dos patrocinadores não chegava e Amati cobrava ao time melhores condições. Pelo menos algum teste para que ela pudesse se familiarizar com o carro. Nada feito e os treinos acabaram sendo mais um festival de rodadas e novamente o último tempo marcado, ficando a quase 11 segundos do tempo feito por Nigel Mansell...

O que já estava ruim, azedou. Como o dinheiro havia acabado e a pilota não concordava com o rumo das coisas, o divórcio foi inevitável. Um mês depois, Damon Hill assumia seu posto e Interlagos marcou a última vez em que uma mulher participou de um fim de semana como titular na F1.

Ao longo dos últimos anos, temos visto diversas iniciativas para que este jejum seja quebrado. Aos poucos, as mulheres vêm tendo um espaço relevante no esporte a motor, sem ser como mero adorno de piloto ou enfeite e as resistências vem sendo quebradas. Iniciativas como a W Series e a Girls on Track da FIA são bem vindas, mas é preciso mais. Que o esporte a motor se transforme mais representativo no que é a nossa sociedade em sua diversidade.

Parabólica
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