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Zelenski recua e demite general apelidado de "açougueiro"

22 jul 2026 - 06h36
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Comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirski era alvo de protestos por ter supostamente forçado demissão de popular ministro da Defesa. Formado na antiga URSS, Sirski era criticado por não conter baixas na guerra.Sob pressão popular, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, decidiu, na noite dessa terça-feira (21/7), trocar o comando do exército do país.

Oleksandr Sirski estava no cargo de comandante-chefe das forças armadas da Ucrânia desde 2024
Oleksandr Sirski estava no cargo de comandante-chefe das forças armadas da Ucrânia desde 2024
Foto: DW / Deutsche Welle

Pelo Telegram, o líder ucraniano anunciou a demissão de Oleksandr Sirski, então comandante-chefe das forças armadas desde 2024. Ele será substituído por Mikhailo Drapati.

Sirski, de 60 anos, ocupava o cargo desde 2024 e estava entre os comandantes mais experientes de Kiev, tendo liderado a defesa da capital ucraniana no início da invasão em grande escala da Rússia, em 2022.

A demissão dele ocorreu após dias de atos públicos em apoio ao ex-ministro da Defesa Mikhailo Fedorov, que deixou o governo em 14 de julho. Empresário da área da tecnologia e sem experiência militar prévia, o ex-ministro de 35 anos defendia o uso em larga escala de novas tecnologias para ampliar o potencial dos drones e uma reforma profunda nas Forças armadas. Fedorov acusou Sirski de pressionar Zelenski a destituí-lo - acusação que ex-comandante-chefe negou.

Protestos de rua em Kiev e em outras cidades exigiram o retorno de Fedorov, visto como uma figura-chave na modernização militar, e instaram Zelenski a demitir Sirski, considerado parte da velha guarda.

Após recuar, Zelenski ofereceu a Fedorov o que chamou de um cargo de prestígio no governo, que unificaria o setor de tecnologia do país. Não foi divulgado se Fedorov aceitou a oferta.

O ex-ministro da Defesa apoiou a nomeação de Drapati para o posto de Sirski, chamando-a de "nova esperança na luta do povo livre pela liberdade e pela justiça" e "uma voz pela mudança que não poderia passar despercebida".

Em seu anúncio, Zelenski elogiou Sirski pelos "resultados na defesa de Kiev, na contraofensiva de Kharkiv e na operação em Kursk", manifestando gratidão a ele a "todos os soldados ucranianos por manterem a frente de batalha".

Nascido e formado na Rússia, Sirski tornou-se comandante das forças ucranianas em fevereiro de 2024, nomeado pelo presidente para substituir o general Valeri Zaluzhni, que liderava as forças armadas ucranianas desde 2021 e se tornou uma figura popular e reconhecida internacionalmente após a invasão russa em 2022.

A demissão do general Sirski é "um sopro de ar fresco" e "uma nova esperança" na luta contra a Rússia, comemorou, por sua vez, Fedorov.

O novo comandante

Visto como desfiado em relação a figuras com ambições políticas, Zelenski acabou cedendo às pressões para demitir Sirski, um militar de carreira. De acordo com analistas consultados pela agência France-Presse, o ex-comandante não representava uma ameaça para o atual presidente - ao contrário de seu antecessor, o extremamente popular Zaluzhni.

Nascido na Rússia e formado em Moscou, Sirski nunca conseguiu se livrar da reputação de general com antiga mentalidade soviética: seus críticos o acusam de dar pouca importância às baixas humanas, o que lhe rendeu o apelido de "açougueiro" entre parte dos ucranianos.

Já Drapati, o terceiro comandante-chefe das forças armadas desde a invasão da Rússia, em fevereiro de 2022, é um major-general condecorado que anteriormente comandou o exército de terra da Ucrânia e lutou contra separatistas apoiados por Moscou durante a guerra do Donbass.

Ele é famoso na Ucrânia por um vídeo que o mostra batendo com um veículo blindado contra um posto de controle separatista na cidade de Mariupol, durante os confrontos entre milícias pró-Rússia e forças governamentais em 2014.

O militar de 43 anos agradeceu a Zelenski pela nomeação em uma postagem no Facebook. "Servir à Ucrânia sempre foi uma honra para mim e, durante a guerra pela independência, isso significa responsabilidade absoluta", disse ele.

"Glória à nação. Morte aos inimigos", concluiu.

Três mortos em ataques russos

Também nesta terça-feira, pelo menos três pessoas morreram em ataques russos em toda a Ucrânia, informou Zelenski no Telegram.

Em Zaporíjia , no sudeste do país, duas pessoas morreram e várias outras ficaram feridas quando um prédio de apartamentos foi atingido por bombas planadoras, disse o presidente. Ele também informou que outra pessoa morreu e duas ficaram feridas na cidade de Kherson, no sul do país. As forças armadas russas utilizaram bombas planadoras e drones no ataque, alegou Zelenski.

Segundo o líder ucraniano, duas pessoas também ficaram feridas em ataques a Odessa, no Mar Negro, e nas redondezas.

Em Sumy, no nordeste da Ucrânia, a autoridade regional de defesa civil indicou que seis moradores de um prédio de apartamentos de vários andares ficaram feridos em ataques com drones ocorridos durante a madrugada. Quatro deles eram menores de idade.

Segundo as autoridades, a Rússia lançou vários ataques durante a noite. Um grande incêndio eclodiu em um shopping center, e ataques subsequentes, realizados enquanto os bombeiros combatiam as chamas, danificaram veículos de emergência.

fcl (AFP, dpa, Lusa)

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