Viviane Barci de Moraes cancelou voos em jato de Vorcaro após prisão do empresário
Trocas de mensagens obtidas em investigações mostram detalhes do agendamento de jatos, cardápios exclusivos e a desistência súbita de viagem a Campos do Jordão
Mensagens revelam que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, cancelou viagens em jatos e helicópteros ligados a Daniel Vorcaro após a prisão do empresário pela PF. Ela usava os serviços com frequência, figurando como cotista. A polícia investiga se as cotas integravam um contrato de R$ 50 milhões entre o banco de Vorcaro e o escritório de advocacia. A defesa e o ministro negam a existência do acordo e o uso das aeronaves pelo magistrado.
Mensagens de texto trocadas via aplicativo revelam que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, efetuou e cancelou reservas de aeronaves executivas vinculadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
A jurista havia agendado com quase um mês de antecedência um deslocamento aéreo partindo de Brasília rumo a São Paulo a bordo de um jato modelo Legacy 650, seguido de uma conexão em helicóptero modelo EC-155 com destino ao município de Campos do Jordão. O itinerário estava programado para atender a um grupo de oito passageiros durante o feriado do Dia da Consciência Negra. No entanto, na manhã desta terça-feira (18), ocorriam ajustes de última hora no planejamento aéreo após a divulgação da prisão do investidor, detido pela Polícia Federal no aeroporto internacional de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior.
Detalhes das mensagens de Viviane Barci de Moraes com a empresa de aviação
O histórico das conversas mantidas com funcionários da empresa Prime You, responsável pela gestão dos jatos e helicópteros do ex-banqueiro, mostra que o pedido inicial foi realizado em 24 de outubro, às 21h25.
A cliente, cadastrada na plataforma como cotista das duas aeronaves, enviou a solicitação de reserva para a equipe de atendimento.
"Gostaria de agendar um helicóptero para Campos do Jordão. Saindo de São Paulo dia 20/11 às 10h e retornando no dia 23/11 às 16h. 8 pessoas".
Porém, às 8h34 de 18 de novembro, a passageira enviou um novo texto solicitando a anulação do trajeto. "Bom dia! Tudo bem? Informo o cancelamento do vôo de amanhã. Atenciosamente, Viviane".
A atendente Fernanda Melo confirmou o recebimento da mensagem um minuto depois.
"Sra. Viviane, bom dia! Irei seguir com o cancelamento, agradeço por informar. Um ótimo dia".
Em seguida, a advogada recuou momentaneamente. "Fernanda, cancele o cancelamento rsrs".
Cinco minutos mais tarde, a contratante encerrou a indecisão. "Desculpe, pode cancelar. Obrigada.".
Exigências de bordo e investigações sobre contratos
As trocas de mensagens na plataforma foram frequentes ao longo de 2025 e demonstram que as solicitações de alteração de horário e serviços de bordo personalizados eram habituais. Em um diálogo datado de 11 de novembro de 2025, às 17h40, a advogada pediu a antecipação de um voo de Brasília para o aeroporto de Congonhas e solicitou suporte de transporte caso o pouso ocorresse no Aeroporto Internacional Catarina.
Na mesma ocasião, após a funcionária Brenda confirmar a disponibilidade e questionar sobre o serviço de bordo, a cliente requisitou o menu atualizado para definir a refeição. "Tartar de salmão com barquetes folheadas, Caesar frango- alface romana, Torta mousse de chocolate com farofa de paçoca e americana, croutons e lascas de parmesão". Ela arrematou o pedido em seguida. "Para 2 pessoas".
Em outro contato, ocorrido em 10 de outubro do ano passado, a passageira informou a lotação para o trecho entre a capital federal e a capital paulista. "Boa tarde, serão 2 passageiros e 1 pet".
A maioria dos trajetos aéreos solicitados utilizava a aeronave de prefixo PP-NLR, registrada em nome de uma das empresas de Vorcaro.
As apurações conduzidas pelos investigadores apontam que, além do contrato principal de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia e o banco, teria sido elaborado em 12 de maio de 2025 um segundo acordo de R$ 50 milhões, cujo pagamento envolveria cotas de uso do jato e do helicóptero.
A defesa do escritório e o gabinete do magistrado contestam veementemente a existência e a assinatura desse segundo documento, reafirmando por meio de nota oficial que o integrante da Suprema Corte jamais realizou viagens em qualquer aeronave pertencente ao ex-banqueiro.
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