Viajantes gastam bilhões para dormir bem
Nova tendência global de bem-estar atrai pessoas que sofrem com insônia e buscam destinos focados em noites perfeitas
Dormir profundamente é o novo desejo de viajantes modernos. Em meio ao que os especialistas já classificam como uma "epidemia da insônia", uma boa noite de descanso virou artigo de luxo. Diante desse cenário, nasceu uma forte tendência no mercado global de viagens conhecida como sleep tourism, ou turismo do sono.
Esse movimento coloca o descanso no centro absoluto da experiência da viagem. Os roteiros deixaram de lado as maratonas exaustivas de passeios e agora oferecem rituais de relaxamento e retiros de reeducação biológica.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam o tamanho do problema no mercado nacional. O estudo aponta que 72% dos brasileiros sofrem de algum distúrbio ligado ao sono.
Dormir bem despertou um mercado bilionário focado no sono reparador
De acordo com o relatório corporativo Sleep Tourism Market, elaborado pela Grand View Research, o setor movimentou cerca de US$ 74,5 bilhões globalmente. A projeção indica que o segmento alcançará a impressionante marca de US$ 149 bilhões, mantendo um crescimento anual de 12,4%.
As plataformas de reservas já sentem o impacto direto dessa mudança de comportamento. O Country Manager da Civitatis no Brasil, Alexandre Oliveira, explica essa transformação na mentalidade do consumidor: "Descansar e dormir bem deixou de ser um detalhe da hospedagem para se tornar o próprio motivo da viagem. O viajante entende o descanso como parte do autocuidado e procura destinos e experiências que ajudem a desacelerar de verdade."
Os destinos mais procurados pelos turistas do sono
Os adeptos dessa nova modalidade viajam para lugares isolados do barulho e da poluição luminosa das grandes cidades. Banhos termais em águas ricas em minerais lideram a preferência dos turistas, destacando-se a famosa Blue Lagoon, na Islândia, e o tradicional Balneário Széchenyi, em Budapeste, na Hungria.
Do mesmo modo, os resorts de bem-estar na Índia atraem milhares de pessoas com programações que combinam ioga, meditação e desconexão digital total. Na Argentina, as piscinas de hidroterapia e as saunas do parque termal Cacheuta, situado na Cordilheira dos Andes, servem como um poderoso calmante natural.
Em contrapartida, outros viajantes preferem o silêncio absoluto da natureza extrema para curar o estresse acumulado. Passar a noite em uma tenda isolada no deserto do Saara, em Merzouga, no Marrocos, virou um passeio cobiçado. Por analogia, o céu limpo do Deserto do Atacama, no Chile, surge como o refúgio perfeito para quem deseja desligar as telas, acalmar a mente e redescobrir o prazer de dormir em paz.
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