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Venda de implementos rodoviários recua 6%, mas exportações saltam 52%

Desaceleração no mercado interno reflete crise no setor de caminhões e juros altos, mas agronegócio e vendas externas seguram o fôlego da indústria

8 jan 2026 - 22h50
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O mercado brasileiro de implementos rodoviários encerrou 2025 com desempenho abaixo do registrado no ano anterior. A baixa reflete cenário econômico mais cauteloso e os impactos diretos da crise enfrentada pelo setor de caminhões.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) apontam que o volume total de emplacamentos somou 149.206 unidades, o que representa uma retração de 6% em relação a 2024.

A contração esteve fortemente ligada à menor renovação das frotas, ao encarecimento do crédito e às taxas de juros ainda elevadas durante boa parte do ano. Além disso, a instabilidade no mercado de caminhões, com queda nas vendas de veículos pesados e médios, afetou diretamente a demanda por novos implementos.

Segundo o presidente da Anfir, José Carlos Spricigo, 2025 foi um período de ajustes e adaptação. Em comunicado oficial, o executivo destacou que os fabricantes precisaram rever estratégias e buscar alternativas para atravessar um ano marcado por incertezas econômicas e menor previsibilidade.

Queda acentuada em reboques e semirreboques

A maior retração foi registrada no segmento de reboques e semirreboques, que tradicionalmente acompanha de perto o desempenho do transporte rodoviário de cargas. Ao longo de 2025, foram emplacadas 70.997 unidades nessa categoria, volume cerca de 20% inferior ao observado no ano anterior. A queda reflete a postergação de compras por parte de empresas que optaram por prolongar o uso de equipamentos já existentes.

Em contrapartida, o segmento de carrocerias sobre chassis apresentou resultado positivo e ajudou a amenizar a retração geral. As vendas dessa categoria cresceram 10% no acumulado do ano, totalizando 78.209 unidades. O desempenho foi impulsionado principalmente pela demanda de setores ligados ao agronegócio, à distribuição urbana e à cadeia de alimentos.

Dentro desse grupo, destacaram-se implementos como graneleiros, carrocerias basculantes e baús frigorificados de alumínio. O bom desempenho do campo brasileiro, que mais uma vez registrou safra robusta, contribuiu para sustentar os investimentos em logística de escoamento.

Exportações cresceram 52% no ano passado

Enquanto o mercado interno apresentou oscilações, o cenário externo se mostrou mais favorável. As exportações de implementos rodoviários registraram crescimento expressivo em 2025. Segundo a Anfir, 4.128 unidades foram embarcadas para outros países, um avanço de 52% em comparação com 2024. O aumento foi impulsionado pela recuperação de mercados da América Latina, África e Oriente Médio.

Fabricantes também se beneficiaram da desvalorização cambial em determinados períodos, o que tornou os implementos nacionais mais atrativos no exterior. Além disso, acordos comerciais regionais ajudaram a abrir novas oportunidades de negócios.

Para 2026, a expectativa do setor é de uma retomada gradual, condicionada à melhora do ambiente macroeconômico e à recuperação das vendas de caminhões. A Anfir avalia que, com maior previsibilidade e confiança, o mercado interno pode voltar a crescer, mantendo o bom desempenho das exportações como um pilar estratégico.

Estadão
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