Vaticano rejeita permitir sermões de mulheres nas missas
Cúria negou pedido para que pessoas comuns pudessem fazer a homilia. Demanda veio da Conferência Episcopal Alemã, que teme prejuízos ao processo de reforma da Igreja Católica do país.O Vaticano rejeitou nesta terça-feira (23/06) um pedido da Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão) para que pessoas comuns, inclusive mulheres, possam proferir sermões em missas.
O pedido de permissão especial foi negado pelo dicastério vaticano responsável, que deixou claro que as homilias cabem unicamente aos padres ou diáconos. O órgão disse reconhecer a preocupação da DBK, mas reafirmou as normas vigentes, das quais não se permite qualquer desvio.
"A disciplina atual não pode ser dispensada", afirmou um comunicado do dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que supervisiona o culto dos 1,4 bilhão de católicos do mundo.
Muitas missas católicas incluem um sermão, no qual um padre ou diácono oferece uma reflexão sobre as leituras bíblicas do dia. O presidente da Conferência Episcopal Alemã, Heiner Wilmer, havia solicitado, no início deste ano, permissão para que os leigos também pudessem proferir sermões.
O pedido ecoou os sentimentos de muitos bispos em outros países europeus e nos Estados Unidos, que afirmam que muitos leigos são tão capazes de pregar quanto os padres. Eles frequentemente citam o desejo de ouvir sermões de mulheres, que não podem ser ordenadas na Igreja Católica.
O Vaticano não forneceu uma resposta completa aos bispos alemães, apenas foi divulgado um comunicado à imprensa resumindo a decisão.
"A reserva da homilia a um padre ou diácono não é uma norma meramente disciplinar, mas deriva da própria natureza da liturgia", dizia a nota.
A Igreja Católica ensina que, durante uma missa, o padre age in persona Christi (na pessoa de Cristo), e é Deus quem age por meio do padre durante o culto. Os leigos podem apenas proferir sermões em celebrações religiosas fora da missa.
Teólogos leigos já pregam em igrejas na Alemanha
Uma maior participação dos leigos é uma das principais preocupações do Caminho Sinodal, o processo de reforma da Igreja Católica na Alemanha.
O canonista Thomas Schüller afirmou que, com a rejeição do Vaticano à pregação leiga, os membros do Caminho Sinodal estão entrando em um "período de decepções romanas". "Os sonhos sinodais alemães estão se desfazendo", disse Schüller sobre a proibição, que confirma a diretriz romana existente e não é teologicamente nova.
Segundo ele, agora é ainda mais incerto se o Vaticano confirmará os estatutos para a planejada conferência sinodal dos católicos alemães. Este órgão, no qual bispos e leigos devem se consultar e decidir juntos, é considerado o núcleo do Caminho Sinodal. "Há agora um receio justificado de que este caminho também seja proibido por Roma", disse Schüller.
No entanto, segundo afirmou, a proibição não mudará a prática cotidiana nas paróquias católicas dos países de língua alemã. Teólogos leigos qualificados às vezes pregam nesses locais. "Portanto, Roma está travando uma batalha perdida, do ponto de vista sociológico e factual, com sua proibição atual e, realisticamente falando, não pode aplicá-la."
A Igreja Católica na Alemanha tem registrado perda contínua de fiéis. De 2024 para 2025, a redução foi de 550 mil. No total, o país contabilizava 19,22 milhões de católicos - o que equivale a 23% da população.
rc/ra (Reuters, DPA)
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