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Ucrânia lança mais de mil drones contra a Rússia e maior ataque contra Moscou

20 set 2026 - 06h21
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Resumo
A Ucrânia realizou seu maior ataque de drones contra a Rússia, lançando centenas de artefatos que atingiram uma refinaria em Moscou e deixaram dois mortos e 20 feridos. A ofensiva ocorreu no último dia das eleições parlamentares russas, primeiro pleito nacional desde o início da guerra. Enquanto Kiev busca pressionar a economia russa focando no setor de petróleo, Vladimir Putin acusa o país vizinho de tentar atrapalhar a votação, vista pelo Kremlin como termômetro de apoio popular ao conflito.

No maior ataque contra Moscou, duas pessoas morreram e refinaria foi atingida. Ofensiva ocorre no último dia da eleição parlamentar no país.A Ucrânia lançou neste domingo (20/09) o que o prefeito de Moscou classificou como o maior ataque de drones já realizado contra a capital russa, em uma tentativa fracassada, segundo ele, de atrapalhar o terceiro e último dia da eleição parlamentar que o presidente russo, Vladimir Putin, apresenta como um teste de apoio à guerra da Rússia na Ucrânia.

Colunas de fumaça sobem de refinaria em Moscou
Colunas de fumaça sobem de refinaria em Moscou
Foto: DW / Deutsche Welle

Duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas na região ao redor de Moscou, e a refinaria de petróleo da capital, que já havia sido atingida anteriormente, foi alvo do ataque, informaram autoridades locais. Testemunhas ouviram explosões em Moscou e viram grandes colunas de fumaça saindo da refinaria.

"O maior ataque de drones inimigos foi repelido. Desde ontem, mais de 1.600 drones foram abatidos em todas as frentes. Destes, 450 se dirigiam a Moscou", afirmou o prefeito da capital, Sergei Sobyanin, em comunicado no Telegram.

Segundo ele, um dos drones atingiu um prédio residencial, mas nenhum morador morreu. "Esse ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de interromper as eleições. O inimigo não teve sucesso", declarou Sobyanin.

Em publicações nas redes sociais, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev utilizou diversos mísseis e drones no ataque — incluindo os mísseis Flamingo e Pelican, de fabricação ucraniana — para atingir instalações de petróleo e de logística.

"São bilhões de dólares que sustentam a máquina de guerra", disse Zelenski, referindo-se à pressão financeira que Kiev espera exercer sobre a economia da Rússia.

Primeira eleição parlamentar desde início da guerra

A votação para a Duma Estatal, a primeira desde que a Rússia iniciou sua invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, deve permitir que o partido governista Rússia Unida mantenha facilmente sua predominância em um sistema político que, segundo críticos, não tolera dissidências. O Kremlin provavelmente apresentará o resultado como prova do apoio popular às políticas de Putin e à guerra, o conflito mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, agora em seu quinto ano e sem sinais de término próximo.

A maioria dos candidatos contrários à guerra foi impedida de concorrer. Aqueles que conseguiram disputar a eleição pelo partido liberal Yabloko, que nos últimos anos obteve apenas porcentagens de um dígito nas pesquisas, mas esperava capitalizar o desgaste causado pela guerra, afirmaram temer por sua liberdade após tribunais condenarem dois importantes integrantes da legenda a longas penas de prisão antes da votação, por declarações sobre o conflito consideradas ilegais pelas autoridades.

Desacreditar as Forças Armadas ou divulgar o que as autoridades consideram notícias falsas pode resultar em longas sentenças de prisão.

Em um pequeno gesto de desafio, o líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, anulou deliberadamente seu voto ao escrever o nome do partido e o slogan "Pela paz" na cédula.

O Kremlin afirma que a unidade nacional e certo grau de censura são necessários durante o que chama de "operação militar especial" na Ucrânia. O governo russo apresenta o conflito como parte de uma luta existencial contra um Ocidente hostil e diz que os serviços de inteligência ucranianos e outros adversários intensificaram esforços para provocar instabilidade dentro da Rússia.

Partidos de oposição autorizados podem se beneficiar

Autoridades eleitorais russas informaram no sábado que o sistema de votação online de Moscou sofreu um ataque cibernético. Kiev, que suspendeu eleições em razão da lei marcial, classificou a votação russa como uma "pseudoeleição".

Na sexta-feira, Putin também acusou a Ucrânia de tentar interferir na eleição. Ele citou um suposto ataque ucraniano à residência de uma autoridade eleitoral na parte controlada pela Rússia da região ucraniana de Zaporíjia. Segundo Putin, o ataque matou Elena Astanina, a funcionária eleitoral.

Apesar do resultado considerado previsível por especialistas, o centro de estudos Nest, sediado em Berlim e cofundado pelo crítico do Kremlin Mikhail Khodorkovsky, que as autoridades russas classificaram como "agente estrangeiro", afirmou que a votação ainda pode gerar momentos desconfortáveis para o governo em um período de dificuldades econômicas.

"As consequências da guerra são cada vez mais sentidas dentro do país, e a ansiedade e a frustração acumuladas podem se transformar em votos para partidos da oposição sistêmica que o Kremlin permitiu permanecer na disputa", afirmou o grupo em relatório.

O Nest disse que o Partido Comunista e o partido Novas Pessoas podem atrair votos que as autoridades prefeririam ver destinados ao Rússia Unida. As duas siglas, porém, costumam votar em sintonia com o partido governista nos principais temas.

Em pronunciamento televisionado antes da eleição, Putin afirmou que a votação demonstraria o apoio da população às tropas russas que lutam na Ucrânia.

"Sua escolha e sua vontade mostrarão mais uma vez que milhões de pessoas apoiam nossos soldados, que somos um povo unido por valores compartilhados, memória histórica e amor à nossa pátria, e que ninguém conseguirá nos dividir ou intimidar", declarou Putin.

md (Reuters, AP)

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