Trump volta a evento com a imprensa três meses após tiroteio
Presidente participou de jantar realizado pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, que teve de ser interrompido às pressas, em abril por causa de atentado. Republicano "brincou" sobre um terceiro mandato.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou, na sexta-feira (24/07), a discursar para centenas de jornalistas no jantar dos correspondentes da Casa Branca, evento que, há cerca de três meses, havia sido interrompido às pressas devido a um atentado a tiros.
Desta vez, o jantar organizado pela Associação de Correspondentes da Casa Branca ocorreu no Hotel Waldorf Astoria em Washington, que já pertenceu à família Trump, em vez do tradicional Washington Hilton.
A assistência foi reduzida de cerca de 2,6 mil convidados em abril para aproximadamente 700, enquanto os serviços secretos reforçaram o dispositivo de segurança e limitaram os acessos, exigindo a apresentação de um código QR para entrar.
"O atentado no Hilton foi um assalto à nossa democracia", disse Trump durante um discurso de mais de 70 minutos, em referência ao ataque de 26 de abril, quando um homem armado, identificado como Cole Allen, tentou entrar na sala onde acontecia o jantar e trocou tiros os agentes de segurança, o que forçou a retirada do presidente do local.
Allen, de 31 anos, enfrenta quatro acusações criminais, incluindo tentativa de assassinato contra o presidente dos Estados Unidos e agressão a um agente federal com uso de arma letal.
"Assim como na minha presidência, a segunda vez é sempre melhor. É sempre melhor", disse o republicano, no discurso dessa sexta. "E a terceira vez será ainda melhor", acrescentou, aludindo a um terceiro mandato, medida proibida pela Constituição dos EUA, que impede que uma mesma pessoa seja eleita mais de duas vezes para o cargo máximo do governo. "Estou apenas brincando", acrescentou Trump.
Durante o jantar, o chefe de Estado proferiu um discurso recheado de piadas contra a imprensa, brincando que a sala reunia "a maior concentração de pessoas com síndrome de transtorno de Trump jamais reunida num mesmo lugar". Afirmou também que alguns convidados ficaram "desapontados" pelo ataque de abril ter interrompido o discurso que tinha preparado para os criticar.
Trump brincou ainda com as novas medidas de proteção, dizendo que "não foi fácil encontrar sapatos que combinassem com o colete à prova de balas", antes de ironizar convidados que preferiram não usá-lo para não parecerem "nove quilos mais pesados".
O presidente elogiou Victor Gonzalez, o agente do Serviço Secreto que foi baleado durante o confronto com o suspeito em abril. "O que ele fez foi incrível", disse Trump. "Nós o saudamos e agradecemos de todo o coração."
Críticas a jornalistas, mas com "respeito"
A edição deste ano foi a primeira que contou com a participação de Donald Trump. Durante o seu primeiro mandato, ele não havia comparecido a nenhum jantar da Associação de Correspondentes.
Trump afirmou que não havia participado dos jantares anteriores porque a imprensa o tratou "de forma injusta", embora tenha prometido voltar no ano que vem.
O presidente dos EUA mantém há muito tempo uma relação hostil com muitos jornalistas e veículos de comunicação.
Durante seu discurso, ele atacou alguns jornalistas, incluindo Kaitlan Collins, da CNN, de quem ele reclamou repetidamente por não sorrir o suficiente, e Josh Dawsey, do The Wall Street Journal. Ambos foram homenageados com prêmios de jornalismo na gala.
Apesar das críticas, Trump encerrou o discurso, que durou mais de uma hora, dizendo que tem "enorme respeito" pelos repórteres presentes no jantar.
"Tenho enorme respeito pelas pessoas nesta sala. Às vezes, sinto que vocês não me tratam de forma justa. Talvez tratem. Não sei", disse.
Cerceamento à imprensa
Durante sua gestão, Trump processou judicialmente diversos veículos de comunicação, excluiu a agência de notícias Associated Press do grupo de imprensa da Casa Branca e limitou o acesso dos jornalistas ao Pentágono, entre outras medidas.
Segundo o republicano, as medidas visam aumentar a prestação de contas e combater o viés dos veículos de comunicação.
Em discurso no Salão Oval na sexta-feira, ele defendeu as intimações federais -posteriormente retiradas -contra jornalistas do New York Times por causa de suas reportagens sobre a segurança do novo Air Force One, doado pelo Catar.
"Não estamos atrás de jornalistas. Estamos atrás de quem vaza informações. Estamos atrás de pessoas covardes, antipatrióticas e, em muitos casos, traidores. E a maneira de encontrá-las é por meio dos jornalistas", havia afirmado o presidente americano, durante a coletiva na Casa Branca, realizada horas antes do jantar.
fcl (DW, EFE, AP)
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