Trump diz que Irã poderia 'eliminar' cidades dos Estados Unidos e provoca onda de críticas
Feita durante durante um comício político no Nebraska, declaração sobre uma possível ameaça do Irã a Los Angeles e San Diego gerou reação na Califórnia e resposta da Casa Branca
Donald Trump gerou forte reação negativa ao declarar em comício que a destruição de Los Angeles e San Diego pelo Irã seria um "preço pequeno a pagar" pela segurança nacional. Autoridades democratas e republicanas da Califórnia criticaram a fala veementemente, rejeitando a ideia de cidades serem tratadas como danos colaterais. Em resposta, a Casa Branca defendeu o presidente, alegando que ele apenas alertava sobre riscos nucleares caso o Irã não fosse contido, explicação rebatida por críticos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou uma onda de críticas ao afirmar que o Irã poderia destruir cidades americanas e citar diretamente Los Angeles e San Diego. A declaração ocorreu durante um comício político realizado na segunda-feira (5), em Grand Island, no Nebraska.
"É um preço pequeno a pagar para manter o mundo seguro, para manter nosso país seguro. Eles poderiam destruir uma cidade. Que destruam Los Angeles, que destruam San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar, e tudo isso vai acabar muito em breve", declarou ao discutir os impactos econômicos da guerra.
Em seguida, o presidente acrescentou que acredita em uma resolução próxima para o conflito. "Está praticamente tudo acabado. Mas vai terminar muito em breve, e vai terminar de um jeito ou de outro", afirmou.
Fala de Trump sobre Irã provoca críticas na Califórnia
A menção às duas maiores cidades da Califórnia provocou reação imediata de autoridades do estado. O governador democrata Gavin Newsom, por exemplo, conhecido como forte opositor do presidente e apontado pela 'Reuters' como um possível candidato à Presidência em 2028, chamou Trump de "desequilibrado e perigoso".
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, afirmou que a declaração "poderia potencialmente comprometer a segurança". Essas críticas, contudo, não partiram apenas de democratas. Jim Desmond, republicano que disputa uma eleição em um distrito próximo a San Diego, também se opôs à fala.
"Discordo veementemente dos comentários do Presidente Trump. Os Estados Unidos devem se opor ao Irã e defender nossos interesses, mas a primeira responsabilidade do nosso Comandante-em-Chefe é proteger o povo americano e nossa pátria", escreveu. Em seguida, acrescentou: "Nenhuma cidade americana é descartável e nenhuma família americana jamais deve ser tratada como dano colateral."
O deputado Kevin Kiley, independente alinhado aos republicanos e candidato à reeleição na Califórnia, classificou o comentário como "inoportuno".
Casa Branca reage à repercussão
Na terça-feira (6), a Casa Branca rejeitou as críticas. O pronunciamento, então, defendeu que Trump se referia ao risco que cidades americanas poderiam enfrentar caso o Irã mantivesse capacidade nuclear.
"O alvoroço da mídia em relação aos comentários do presidente Trump não tem fundamento na realidade. Ele estava claramente afirmando que as cidades americanas teriam sido ameaçadas se o Irã, que já possuía armas nucleares, não tivesse sido impedido", afirmou o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung.
Cheung também declarou que os Estados Unidos estariam mais seguros sob Trump e afirmou que o Irã já não teria armas nucleares, marinha, força aérea ou recursos financeiros. Karen Bass, no entanto, rejeitou essa explicação. "Bem, não tenho certeza se ele entende que podemos ouvir o que o presidente disse", afirmou.
Para a prefeita, a justificativa apresentada pela Casa Branca não correspondia às palavras usadas por Trump. A referência a San Diego ganhou peso adicional pela importância militar da região. Segundo as informações da 'Reuters', mais de 115 mil militares da ativa moram na cidade, que abriga a maior base naval da costa oeste dos Estados Unidos.
Em sua reação, a deputada democrata Sara Jacobs, representante da região, citou justamente esses moradores. "Meus eleitores — incluindo muitos militares da ativa, veteranos e suas famílias — não são danos colaterais aceitáveis na guerra estúpida de Trump", escreveu.
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