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Trump anuncia "ações muito fortes" se Irã iniciar execuções

14 jan 2026 - 06h51
(atualizado às 09h51)
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Família de manifestante detido diz que ele será executado nesta quarta-feira. "Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza", afirmou Trump.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13/01) que executará "ações muitos fortes" caso as autoridades do Irã comecem a executar pessoas detidas durante os protestos que abalam a República Islâmica.

Protestos que começaram em fins de dezembro já teriam deixado cerca de 2.600 mortos
Protestos que começaram em fins de dezembro já teriam deixado cerca de 2.600 mortos
Foto: DW / Deutsche Welle

"Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza", afirmou o chefe de Estado americano quando questionado sobre a possibilidade de execuções por enforcamento já nesta quarta-feira.

A ONG Iran Human Rights (IHR) denunciou o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, detido na semana passada na cidade de Karaj, perto de Teerã, que, segundo a sua família, já foi condenado à morte e poderá ser executado nesta quarta-feira.

O responsável máximo pela Justiça iraniana, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira julgamentos sumários e possíveis execuções de pessoas detidas por terem participado nos recentes protestos contra o regime da República Islâmica.

"Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo já", disse Mohseni-Ejei, em referência às execuções. Ele acrescentou que, "se demorar dois ou três meses, não terá o mesmo efeito".

O Ministério Público de Teerã afirmou que um número não especificado de manifestantes será julgado por moharebeh (guerra contra Deus, em persa), uma das acusações mais graves no Irã e que prevê a pena de morte, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.

ONGs: 2.600 mortos

Organizações não governamentais afirmaram que cerca de 2.600 pessoas morreram nas manifestações que começaram em 28 de dezembro em todo o país. Esse número inclui manifestantes e forças de segurança.

De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos e com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao regime. O grupo afirmou que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou, para mais de 18.100.

O fluxo de informações do Irã é prejudicado por um bloqueio da internet, que começou em 8 de janeiro. Isso dificulta a verificação independente dos números de mortos e detidos. As chamadas via telefone para o exterior foram permitidas nesta terça-feira, mas ainda não é possível ligar do exterior para o Irã.

O fornecedor de internet por satélite Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, passou a oferecer serviço gratuito no Irã, disseram ativistas.

Irã ameaça bases americanas na região

Em resposta às ameaças de Trump, o ministro iraniano da Defesa, Aziz Nafizardeh, afirmou que o seu país atacará as bases americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos lancem uma ofensiva contra a nação persa. "O Irã atacará as bases americanas se for atacado", afirmou, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.

O Irã acusou os Estados Unidos de procurarem um pretexto para intervir militarmente no país. "As fantasias e a política dos Estados Unidos em relação ao Irã baseiam-se na mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos a servirem de modus operandi para fabricar um pretexto para a intervenção militar", afirmou a missão iraniana na ONU.

Em junho passado, os EUA atacaram instalações nucleares no Irã numa ofensiva que, segundo os iranianos, matou mais de mil pessoas, a maioria civis. Teerã respondeu com um ataque a uma base americana no Catar, que teve pouco impacto.

O Irão é o segundo país no mundo em número de execuções, atrás apenas da China, segundo ONGs humanitárias. Em 2025, o país executou pelo menos 1.500 pessoas condenadas à morte, de acordo com a ONG Iran Human Rights. Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos, entre 2022 e 2023, segundo essa ONG sediada na Noruega.

as (Efe, Lusa, Reuters)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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