Trump anuncia "ações muito fortes" se Irã iniciar execuções
Família de manifestante detido diz que ele será executado nesta quarta-feira. "Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza", afirmou Trump.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13/01) que executará "ações muitos fortes" caso as autoridades do Irã comecem a executar pessoas detidas durante os protestos que abalam a República Islâmica.
"Se eles fizerem algo assim, agiremos com muita firmeza", afirmou o chefe de Estado americano quando questionado sobre a possibilidade de execuções por enforcamento já nesta quarta-feira.
A ONG Iran Human Rights (IHR) denunciou o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, detido na semana passada na cidade de Karaj, perto de Teerã, que, segundo a sua família, já foi condenado à morte e poderá ser executado nesta quarta-feira.
O responsável máximo pela Justiça iraniana, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou nesta quarta-feira julgamentos sumários e possíveis execuções de pessoas detidas por terem participado nos recentes protestos contra o regime da República Islâmica.
"Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo já", disse Mohseni-Ejei, em referência às execuções. Ele acrescentou que, "se demorar dois ou três meses, não terá o mesmo efeito".
O Ministério Público de Teerã afirmou que um número não especificado de manifestantes será julgado por moharebeh (guerra contra Deus, em persa), uma das acusações mais graves no Irã e que prevê a pena de morte, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.
ONGs: 2.600 mortos
Organizações não governamentais afirmaram que cerca de 2.600 pessoas morreram nas manifestações que começaram em 28 de dezembro em todo o país. Esse número inclui manifestantes e forças de segurança.
De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), uma organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos e com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao regime. O grupo afirmou que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou, para mais de 18.100.
O fluxo de informações do Irã é prejudicado por um bloqueio da internet, que começou em 8 de janeiro. Isso dificulta a verificação independente dos números de mortos e detidos. As chamadas via telefone para o exterior foram permitidas nesta terça-feira, mas ainda não é possível ligar do exterior para o Irã.
O fornecedor de internet por satélite Starlink, de propriedade do bilionário Elon Musk, passou a oferecer serviço gratuito no Irã, disseram ativistas.
Irã ameaça bases americanas na região
Em resposta às ameaças de Trump, o ministro iraniano da Defesa, Aziz Nafizardeh, afirmou que o seu país atacará as bases americanas no Oriente Médio caso os Estados Unidos lancem uma ofensiva contra a nação persa. "O Irã atacará as bases americanas se for atacado", afirmou, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.
O Irã acusou os Estados Unidos de procurarem um pretexto para intervir militarmente no país. "As fantasias e a política dos Estados Unidos em relação ao Irã baseiam-se na mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos a servirem de modus operandi para fabricar um pretexto para a intervenção militar", afirmou a missão iraniana na ONU.
Em junho passado, os EUA atacaram instalações nucleares no Irã numa ofensiva que, segundo os iranianos, matou mais de mil pessoas, a maioria civis. Teerã respondeu com um ataque a uma base americana no Catar, que teve pouco impacto.
O Irão é o segundo país no mundo em número de execuções, atrás apenas da China, segundo ONGs humanitárias. Em 2025, o país executou pelo menos 1.500 pessoas condenadas à morte, de acordo com a ONG Iran Human Rights. Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos, entre 2022 e 2023, segundo essa ONG sediada na Noruega.
as (Efe, Lusa, Reuters)