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Tensões voltam a crescer em Paris enquanto França contabiliza os custos da pior onda de distúrbios em anos

18 out 2026 - 13h32
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Resumo
A França enfrenta sua pior onda de distúrbios em anos devido a protestos contra a alta do custo de vida e o declínio dos serviços públicos. Atos violentos deixaram um manifestante morto, mais de 600 policiais feridos e cerca de duas mil pessoas presas, além de prefeituras incendiadas e centenas de lojas saqueadas. Com novos confrontos registrados neste domingo em Paris, a crise aprofunda o desgaste sobre o presidente Emmanuel Macron, pressionado pela oposição antes das próximas eleições.

Novos confrontos eclodiram em Paris neste domingo, um dia depois ‌de a França ter vivido um dos piores dias de agitação dos últimos anos, com protestos contra os preços altos que deixaram um manifestante morto, milhares de pessoas presas e lojas saqueadas ou danificadas em todo o país.

Manifestações em todo o país se transformaram em tumultos no sábado, com uma prefeitura incendiada, lojas saqueadas e prédios cobertos de pichações, enquanto grupos violentos entraram em confronto com a polícia em cidades por todo o país.

Um manifestante morreu após sofrer uma parada cardíaca durante os protestos em ⁠Paris. A polícia realizou mais de 2.000 prisões em toda a França, enquanto mais de 600 policiais ficaram feridos, informou o ministro ‌do Interior.

"Aqui parece uma zona de guerra", disse o empresário holandês Tije De Boer, que havia vindo a Paris com seus filhos para visitar um amigo e afirmou que os protestos o forçaram a evacuar seu hotel na Place de la République, ‌um dos pontos mais conturbados no sábado.

A polícia voltou a lançar gás lacrimogêneo ‌contra os manifestantes na Place de la République e bicicletas foram incendiadas na tarde de domingo, um sinal de que ⁠as tensões ainda não haviam se acalmado totalmente na capital.

Mais de meio milhão de pessoas participaram de marchas em dezenas de cidades no sábado, marcando a convergência de um movimento estudantil que já dura um mês com um descontentamento social mais amplo contra o aumento do custo de vida e o declínio dos serviços públicos.

O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento à nação às 20h, horário local, no domingo, informou seu gabinete.

Os distúrbios de sábado revelaram a profunda raiva contra Macron, que deixará o cargo em ‌2027 após uma década no poder cada vez mais marcada pelo descontentamento social, uma economia fraca e uma dívida galopante.

O governo atribuiu ‌a violência a grupos de extrema esquerda e ⁠ultra-esquerda, bem como a criminosos ⁠que, segundo o governo, instigaram os saques.

O líder da extrema direita francesa, Jordan Bardella, afirmou que a França havia sido "humilhada" e pediu que Macron ⁠renunciasse.

"Estamos pagando por décadas de negligência, perda de autoridade e pelo desarmamento moral, ‌psicológico e material de nossas forças de ‌segurança interna", disse ele durante visita a uma delegacia de polícia em Paris.

VÁRIAS CENTENAS DE LOJAS DANIFICADAS

Enquanto centenas de milhares protestavam pacificamente, grupos marginais violentos atacaram prédios públicos, saquearam butiques de luxo e supermercados e atacaram veículos e policiais.

Uma operação maciça de limpeza teve início em cidades que vão de Lille, no norte, a Marselha, no sul, e de ⁠Estrasburgo, no leste, a Bordeaux, no sudoeste, onde uma multidão mascarada invadiu a residência do prefeito local.

O ministro do Interior, Laurent Nunez, afirmou que várias centenas de lojas foram danificadas no sábado.

Em Limoges, no sudoeste da França, o prefeito Guillaume Guerin denunciou o caos após a prefeitura da cidade, de 143 anos, ter sido incendiada e amplamente destruída em um ataque criminoso no sábado, o que gerou comparações com o incêndio de 2019 que devastou a ‌Catedral de Notre-Dame, em Paris.

"Houve uma intenção clara e premeditada de incendiar a prefeitura, e as pessoas que estavam lá dentro temeram por suas vidas", disse Guerin à Reuters. Ele ameaçou renunciar caso a cidade não recebesse os recursos necessários para ⁠reparar a prefeitura.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL ACONTECERÁ NO PRÓXIMO ANO

Os distúrbios aumentaram a pressão sobre o presidente Macron e seu governo antes da eleição presidencial prevista para o próximo ano. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os distúrbios à "extrema esquerda" e aos criminosos.

O ministro da Economia, Roland Lescure, prometeu apoio no domingo aos empresários que sofreram prejuízos. "Quem destruir coisas vai pagar, reparar os danos e ser responsabilizado por sua intenção de semear o caos", disse Lescure em comunicado.

O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, disse que até 100 lojas foram saqueadas em sua cidade, enquanto o prefeito de Marselha, Benoit Payan, anunciou ajuda financeira de emergência para apoiar as empresas afetadas pela violência.

O presidente-executivo da rede francesa de varejo Carrefour, Alexandre Bompard, disse à emissora francesa BFMTV que 50 lojas da empresa foram danificadas, incluindo 20 que foram saqueadas, com prejuízos decorrentes dos danos chegando a dezenas de milhões de euros.

Os protestos começaram no mês passado devido às condições das escolas e à escassez de professores nos subúrbios da classe trabalhadora, antes de se transformarem em um movimento contra a desigualdade, os cortes nos gastos públicos e o aumento do custo de vida.

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