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De olho na América Latina, startup francesa de RH vira 'unicórnio' com aporte do SoftBank

Fundada em 2018, a Swile oferece aplicativo com benefícios diversos, ferramentas de engajamento, pesquisas de satisfação e feedbacks

11 out 2021 10h11
| atualizado às 11h39
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A Swile - startup francesa que adquiriu a Vee Benefícios, empresa brasileira de soluções para o RH - é oficialmente um unicórnio, nome dado às novatas que atingem valor de mercado de US$ 1 bilhão. A marca foi atingida após a captação recorde de US$ 200 milhões, com aporte principal do SoftBank Latin America Fund. Ao Estadão/Broadcast, o CEO e fundador da companhia, Loïc Soubeyrand, disse que um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) deve acontecer em cerca de 5 anos. Até lá, a startup almeja valer dez vezes mais. O próprio SoftBank, inclusive, ainda deve fazer mais aportes na sequência.

"É um grande mercado, uma grande indústria", diz Soubeyrand. "Somos bastante ambiciosos: em 3 anos, chegamos ao valor de US$ 1 bilhão com alto investimento em tecnologia e inovação, o que nos permite aumentar a aposta no Brasil, e iniciar nossa expansão na América Latina, começando pelo México, que é o terceiro maior mercado no segmento de benefícios corporativos no mundo. Isso nos dá a certeza que vamos alavancar o valor de mercado da companhia, antes de fazer um IPO."

Hoje a Swile tem 15% do setor de benefícios para funcionários da França, segundo maior mercado desse segmento no mundo. O Brasil, por sua vez, é o primeiro. "O mercado de benefícios corporativos no Brasil movimenta R$150 bilhões anualmente", diz Marcelo Ramos, General Manager da Swile Brasil. "O que acontece aqui pode inspirar uma transformação em nível global para esta indústria." Até 2024, o objetivo é que a América Latina seja o mercado principal da unicórnio de sotaque francês.

Essa foi a quarta rodada de captação de recursos da Swile, após outras três, com aportes de US$ 13 milhões (2018), US$ 34 milhões (2019) e US$ 78 milhões (2020). O investimento de US$ 200 milhões é, portanto, maior do que tudo o que a companhia já conseguiu arrecadar até aqui e será aplicado em peso na América Latina.

"Com certeza, 80% serão dedicados para a América Latina", diz Soubeyrand. A escolha do SoftBank como investidor de longo prazo - e que deve fazer aportes subsequentes - se relaciona com a expertise do banco na região, uma vez que o investimento vem do braço especializado em América Latina da instituição.

Por aqui, o aporte deve se traduzir em mais contratações. "Nossa expectativa é ampliar o quadro de profissionais da empresa, totalizando 700 funcionários na América Latina em 2022", diz Soubeyrand. As contratações variam entre as áreas de atendimento a clientes, vendas e operações.

Questionado sobre a dificuldade de angariar talentos na área de tecnologia e desenvolvimento de softwares no Brasil, o CEO diz que, para esse segmento, a Swile tem uma central de desenvolvedores e inovação com profissionais que trabalham remotamente de diferentes regiões e países.

Fundada em 2018, a Swile oferece, por meio de seu aplicativo, benefícios diversos; ferramentas de engajamento - como premiações e comemorações -; pesquisas de satisfação e feedbacks. Há ainda o Swile Card, que permite a utilização dos benefícios em uma rede associada.

A ideia é centralizar os benefícios dados aos funcionários em uma única plataforma e de forma flexível. Segundo a empresa, todas as funcionalidades serão apresentadas em breve ao mercado brasileiro. Ao todo, já são 500 mil usuários e 15 mil clientes corporativos, entre eles Carrefour, Le Monde, PSG, Airbnb, Spotify, Red Bull, TikTok, Whirlpool, Amaro, Bayer, Grupo IPG e Fiat.

Contexto

A Swile se beneficia de um período de liquidez para empresas de tecnologia na América Latina. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o CEO da Distrito - plataforma de inovação e aceleração de grandes empresas e startups -, Gustavo Araújo, afirmou que os investidores brasileiros acordaram há 12 ou 18 meses para o mundo da tecnologia e das startups. Assim, o maior interesse em empresas do ramo ainda vem de fundos estrangeiros. Isso porque em lugares como China e Estados Unidos as empresas mais valiosas já são as de tecnologia, o que ainda não aconteceu no Brasil.

"Os fundos vêm para fazer isso na América Latina nesta década. 2020/2030 é a década de transformação digital dessa região, e o Brasil tem cerca de 60% desse mercado", afirma. Ele diz ainda que a Distrito mapeia cerca de US$ 10 bilhões de dólares já captados por fundos estrangeiros com destino às startups da América Latina. "Mesmo com ano mais complicado de eleição pela frente. Não estamos vendo fator de desaceleração desse mercado", disse.

Estadão
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