São Paulo registra 235 ataques a ônibus em 20 dias; 35 ocorreram ontem
A escalada de ataques a ônibus em São Paulo segue sem trégua. Nesta quarta-feira (2), 35 novos casos foram registrados na capital. O total chegou a 235 ocorrências em menos de um mês. A ação dos vândalos afeta o transporte público e causa prejuízos às viações, além de assustar passageiros e trabalhadores do setor.
A maioria dos ataques mais recentes ocorreu na zona sul. Ônibus foram alvos no Capão Redondo e no Campo Belo. Os veículos tiveram vidros quebrados por pedras e objetos arremessados contra eles.
Na semana passada, uma passageira foi ferida no rosto quando o coletivo em que estava trafegava pela avenida Washington Luís, próximo ao aeroporto de Congonhas. O agressor atirou uma pedra e fugiu. A vítima foi levada para atendimento na UPA Vila Santa Catarina. O caso é investigado pelo 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.
O que está por trás dos ataques a ônibus em série?
Ainda não há uma explicação clara para a motivação dos atos. A Polícia Civil investiga os episódios por meio da 6ª Delegacia Contra Crimes Patrimoniais e da divisão especializada em crimes cibernéticos. Os ônibus depredados passam por perícia.
A capital tem uma frota total de 12.036 ônibus. Segundo a SPTrans, quase 2% dos veículos foram danificados. Sempre que um ônibus é atingido, ele precisa ser retirado de circulação e substituído por outro da reserva técnica. Se isso não acontecer de forma imediata, a empresa responsável pode ser punida.
O prejuízo financeiro ainda não foi calculado. Os custos com os consertos ficam a cargo das concessionárias que operam as linhas.
A violência não se limita à capital. Na Baixada Santista, ao menos 30 ônibus foram atacados em Santos, São Vicente e Cubatão. Os crimes são apurados pela Delegacia Seccional de Santos.
Em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, três ônibus foram apedrejados em diferentes pontos da cidade no mesmo dia. A cidade possui uma frota de 113 veículos.
Motoristas, cobradores e passageiros estão na "mira da marginalidade", conforme destacou o Sindimotoristas. O sindicato defende a criação de uma delegacia voltada à segurança do transporte público e diz buscar diálogo com a Secretaria de Segurança Pública e as empresas para garantir a integridade dos usuários.