Saiba quais são os sintomas do Alzheimer em fase avançada, como no caso de Fernando Henrique Cardoso
Entenda as mudanças comportamentais e as medidas de segurança indispensáveis para garantir a qualidade de vida do paciente nesta etapa.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aos 94 anos, enfrenta um quadro de Alzheimer em estágio avançado. A decisão recente da Justiça de São Paulo de aceitar o pedido de interdição, delegando a seu filho, Paulo Henrique Cardoso, a responsabilidade pela gestão financeira e patrimonial do pai, trouxe à tona discussões fundamentais sobre as necessidades reais dos pacientes que atravessam esta fase da vida. O Alzheimer, quando atinge seu grau mais severo, impõe uma realidade de dependência, mas especialistas alertam que a transição não ocorre de forma abrupta e que o manejo correto é possível com o suporte adequado.
Desmistificando a fase avançada do Alzheimer
Muitas famílias temem que o diagnóstico de Alzheimer em estágio avançado signifique, automaticamente, o fim da interação social ou a imobilização total do paciente. No entanto, o neurologista Rodrigo Schultz, que presidiu a Abraz entre 2017 e 2024, esclarece à Folha pontos cruciais sobre a progressão natural da doença. Ao contrário do que muitos acreditam, a pessoa nessa fase não se encontra totalmente dependente, acamada e sem conseguir dizer qualquer palavra. Esse é um estágio ainda mais tardio dentro da fase avançada, que pode levar anos para se instalar, explica o médico. Os sinais centrais desta etapa incluem um comprometimento severo da memória, onde o paciente perde o fio condutor de eventos cotidianos recentes, além de uma desorientação espacial e temporal acentuada. O empobrecimento da linguagem é outro marco visível, com frases truncadas ou o desaparecimento da fala espontânea. Comportamentalmente, o indivíduo pode apresentar quadros de apatia, agitação ou agressividade.
Cuidados essenciais com nutrição e segurança
O tratamento nesta etapa vai muito além do uso de medicamentos, exigindo uma rede multiprofissional robusta. A gerontóloga Thaís Bento Lima, docente da USP, ressalta à Folha que o foco deve ser o bem-estar emocional aliado ao suporte técnico. A alimentação, por exemplo, requer estratégias específicas. A perda de apetite e dificuldades na deglutição são recorrentes, elevando o risco de engasgos e aspiração. É muito importante que um cuidador nunca dê alimentos quando o paciente estiver deitado, enfatiza a especialista. Além disso, investir em texturas adequadas e pratos visualmente atraentes pode estimular o consumo. A mobilidade também é uma preocupação constante, pois a imobilidade progressiva eleva o risco de lesões de pele, conhecidas como escaras. Hidratar a derme e realizar a mudança de posição do paciente a cada duas horas são manobras indispensáveis para evitar complicações e garantir o conforto físico necessário.
O papel crucial do ambiente doméstico
A segurança dentro de casa deve ser totalmente repensada para evitar acidentes evitáveis. Itens pequenos, produtos de limpeza e objetos cortantes precisam ser removidos do alcance imediato. A iluminação ganha um novo protagonismo, funcionando como uma aliada contra quedas e confusões mentais durante o período noturno. É importante deixar luzes acesas durante a noite, pensando que a pessoa pode se levantar e caminhar, recomenda Lima. A escolha de móveis sólidos, a instalação de proteções em tomadas e o uso de calçados antiderrapantes completam o conjunto de ações que, somadas, transformam o lar em um refúgio seguro. O gerenciamento cuidadoso dessas variáveis permite que o paciente mantenha um mínimo de dignidade e autonomia assistida, reduzindo riscos críticos e preservando o afeto necessário no ambiente familiar durante todo o processo de cuidado.
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