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Rússia intensifica ataques e mata 13 pessoas na Ucrânia

30 jul 2026 - 07h21
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Ofensiva com 74 mísseis e 284 drones deixou mortos e dezenas de feridos, incluindo crianças. Polônia investiga a possível entrada de um míssil russo em seu espaço aéreo.Ataques russos com mísseis e drones mataram pelo menos 13 pessoas e deixaram dezenas de feridos em diferentes regiões da Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (30/07), segundo autoridades locais. A ofensiva levou novamente o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, a cobrar dos aliados europeus mais sistemas de defesa aérea. A Polônia investiga a possível entrada de um míssil russo em seu espaço aéreo.

Moscou afirma ter atingido instalações ligadas à indústria militar ucraniana.
Moscou afirma ter atingido instalações ligadas à indústria militar ucraniana.
Foto: DW / Deutsche Welle

De acordo com a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou durante a noite 74 mísseis e 284 drones. O presidente ucraniano havia alertado o país na noite anterior sobre a iminência de um ataque. "Os russos preparam um ataque há dias, e há uma grande chance de que aconteça hoje. Em todas as regiões da Ucrânia, fique atento aos alertas e permaneça em segurança", publicou nas redes sociais.

Um dos mísseis atingiu uma residência em uma vila próxima a Kryvyi Rih, no centro da Ucrânia, matando seis integrantes da mesma família, incluindo duas crianças.

"Era uma casa comum, reduzida a escombros por um míssil balístico", afirmou Zelenski. Segundo ele, outras duas crianças foram resgatadas com vida no local, sua cidade natal.

Fotos divulgadas pelo governo regional mostram equipes de resgate vasculhando os destroços da residência.

Os ataques deixaram ainda seis mortos na região de Poltava. Um míssil também atingiu a capital Kiev, onde um morador morreu e duas ficaram feridas. Mais a oeste, em Lviv, perto da fronteira polonesa, pelo menos 31 pessoas ficaram feridas quando um projétil atingiu prédios residenciais.

Moscou diz mirar instalações militares

Moscou afirmou que o ataque teve como alvo instalações da indústria militar ucraniana. Segundo o Ministério da Defesa russo, foram empregados mísseis lançados de terra, mar e ar, além de drones.

Entre os alvos estariam a fábrica Mayak, em Kiev, que segundo a Rússia produz drones FP-1 e FP-2 para as forças ucranianas, e a Kyiv Electrical Technical Plant, apontada por Moscou como fabricante de drones de ataque e reconhecimento.

Na cidade de Lviv, a Rússia afirmou ter atingido a fábrica aeronáutica LORTA, que, segundo o governo russo, produz e faz manutenção de motores utilizados em mísseis de cruzeiro Flamingo e em drones.

O Ministério da Defesa também declarou ter atacado duas instalações na região de Ivano-Frankivsk ligadas à produção ou armazenamento de mísseis, incluindo os modelos Flamingo e Neptune.

Na região de Dnipropetrovsk, Moscou afirmou ter atingido a fábrica Akvaplast, em Kryvyi Rih, acusada de participar do desenvolvimento e montagem de drones de ataque, drones navais não tripulados e da manutenção de obuseiros autopropulsados.

Além dos alvos em terra, Moscou afirmou ter atingido três navios de carga no Mar Negro. Um deles estaria atracado no porto de Yuzhnyi. Segundo a Rússia, a embarcação teria transportado material militar. Outros dois navios teriam sido atingidos ao sul e a leste de Odessa e, de acordo com Moscou, transportavam armas e equipamentos militares destinados aos portos de Odessa e Chornomorsk.

Alerta na Polônia

A ofensiva também provocou tensão na Polônia. As Forças Armadas polonesas mobilizaram caças após detectarem um objeto não identificado cruzando seu espaço aéreo durante a madrugada.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que um míssil de cruzeiro russo Kh-101 entrou no espaço aéreo polonês durante o ataque em massa contra a Ucrânia.

As autoridades polonesas, porém, ainda não confirmaram oficialmente a natureza do objeto e informaram que as investigações continuam.

Segundo o comando operacional das Forças Armadas da Polônia, o objeto foi detectado às 3h40 no horário local e desapareceu dos radares pouco depois. Um helicóptero enviado para verificar o local identificou uma área de impacto próxima à vila de Tarnawa-Kolonia, na província de Lublin.

A polícia e o Ministério do Interior poloneses informaram que foi encontrada uma cratera de aproximadamente dez metros de diâmetro em uma área agrícola situada entre as localidades de Tarnawa Kolonia e Biskupice, a cerca de dois quilômetros das construções mais próximas. Fragmentos estavam espalhados pelo local.

Sirenes de alerta foram acionadas brevemente na região de Lublin. O primeiro-ministro polonês Donald Tusk deslocou-se para a área e anunciou a criação de uma equipe especial de coordenação para acompanhar as investigações.

Defesa aérea sob pressão

Zelenski voltou a pedir mais equipamentos de defesa aérea, sobretudo para interceptar mísseis balísticos russos.

"Diante da escassez crítica de mísseis de defesa aérea fornecidos por nossos parceiros, nossos combatentes estão realizando feitos realmente extraordinários", declarou.

Na terça-feira, o líder ucraniano reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Segundo Zelenski, eles discutiram sistemas antimísseis e a possibilidade de a Ucrânia produzir interceptadores Patriot sob licença.

O presidente ucraniano afirmou que teve uma "boa reunião" e disse que Trump concordou em conceder as licenças necessárias.

Ao longo da guerra, Kiev desenvolveu diferentes meios de defesa contra drones e mísseis russos, mas continua enfrentando dificuldades para neutralizar projéteis balísticos. Segundo a Força Aérea ucraniana, menos de um terço dos mais de 120 mísseis balísticos disparados pela Rússia neste mês foi interceptado. No caso dos drones, a taxa de abatimento gira em torno de 90%.

Segundo as Nações Unidas, junho foi o mês mais letal para civis na Ucrânia desde abril de 2022, em meio à intensificação dos ataques russos de longo alcance contra cidades e áreas urbanas. Nos últimos meses, a Ucrânia também ampliou seus ataques contra alvos em território russo, numa tentativa de pressionar Moscou a retomar negociações após mais de quatro anos de guerra.

gq (AFP, Reuters)

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