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Reviravolta nas eleições: Justiça surpreende e estende votação até as 19h em todo o Brasil

Decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, ocorre após pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, que apontaram problemas no transporte público, fortes chuvas e dificuldades de acesso às seções eleitorais

25 out 2026 - 18h19
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Resumo
O ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu a votação do segundo turno presidencial de 2026 até as 19h em todo o Brasil. A decisão atendeu a pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, motivados por graves obstáculos no deslocamento dos eleitores, como escassez de transporte público em capitais e bloqueios causados por fortes chuvas em diversos estados. Com o adiamento de duas horas para garantir a participação popular, o TSE também postergou a apuração e a divulgação dos resultados.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 ganhou um capítulo inesperado neste domingo (25/10). O horário de votação, inicialmente previsto para terminar às 17h, foi ampliado até as 19h, pelo horário de Brasília, em todo o território nacional. A determinação partiu do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após reclamações sobre obstáculos enfrentados por eleitores para chegar às urnas.

Flávio Bolsonaro e Lula (Reprodução Internet)
Flávio Bolsonaro e Lula (Reprodução Internet)
Foto: Contigo

A medida ocorreu depois que as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram solicitações à Justiça Eleitoral. Entre os problemas relatados estavam a redução da circulação de ônibus, temporais, pontos de alagamento e bloqueios de vias em diferentes municípios brasileiros.

Com a mudança, os eleitores passaram a contar com duas horas adicionais para participar da escolha do próximo presidente da República.

Campanha de Lula denuncia dificuldades no transporte público

A coligação Brasil Pronto Pra Mais, responsável pela candidatura de Lula, procurou a Justiça após receber denúncias de que a oferta insuficiente de transporte coletivo estaria prejudicando o deslocamento de eleitores.

Inicialmente, as reclamações envolveram Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Posteriormente, a campanha solicitou que a extensão do horário também contemplasse outras localidades afetadas por problemas semelhantes.

O pedido foi encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao STF, com o argumento de que as dificuldades poderiam comprometer o direito ao voto.

Ao analisar a situação, Cristiano Zanin considerou a gravidade das informações apresentadas e a necessidade de uma resposta imediata. O magistrado determinou que a votação fosse prolongada em todas as seções eleitorais brasileiras.

"Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil", escreveu o ministro na decisão.

Flávio Bolsonaro também solicita ampliação do prazo

A equipe do senador Flávio Bolsonaro também recorreu à Justiça Eleitoral para pedir mais tempo de votação, mas apresentou justificativas diferentes das apontadas pela campanha petista.

Os representantes do candidato do PL relataram que chuvas intensas, enchentes e interdições de ruas e estradas dificultaram a chegada de eleitores às seções em municípios de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O pedido foi direcionado ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques. A campanha também defendeu que a divulgação dos resultados da eleição presidencial acontecesse somente depois do encerramento do período adicional de votação.

A defesa de Flávio argumentou que a regra que permite votar após as 17h, mediante distribuição de senhas aos eleitores que já estão na fila, não contemplaria aqueles que sequer conseguiram chegar aos locais de votação por causa das condições climáticas.

Falta de ônibus em São Paulo e Salvador gera controvérsia

As dificuldades relacionadas ao transporte coletivo estiveram entre os principais motivos apresentados à Justiça.

Na capital paulista, a SPTrans informou ter recebido, no sábado (24), uma determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para garantir a circulação de toda a frota municipal no domingo.

Segundo a empresa, a comunicação chegou às 13h10, com pouco tempo disponível para reorganizar a operação. Às 13h32, as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais foram informadas sobre a exigência.

A SPTrans alegou que a mudança demandava ajustes nas escalas dos funcionários, nas jornadas de trabalho e na organização dos serviços.

Em Salvador, a situação também provocou questionamentos. Informações divulgadas durante o domingo apontaram que pelo menos 75 ônibus não conseguiram deixar as garagens, comprometendo a circulação do transporte público.

Diante do episódio, a Federação Brasil da Esperança acionou a Justiça Eleitoral contra o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e representantes das empresas de ônibus. A entidade solicitou a aplicação de multa de R$ 1 milhão por hora enquanto persistissem as irregularidades denunciadas.

Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de uma decisão judicial sobre esse pedido específico.

Prorrogação também provoca mudanças na apuração

Além de ampliar o período para os brasileiros comparecerem às urnas, a decisão teve consequências para a divulgação dos resultados do segundo turno.

O TSE confirmou a paralisação da apuração após a determinação de Zanin, que estabeleceu o encerramento da votação às 19h em todo o país.

A medida busca preservar a participação dos eleitores afetados pelos problemas de deslocamento antes da conclusão do processo eleitoral.

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