Renault terá SUV coupé no Brasil segundo chefe global da marca
Fabrice Cambolive, CEO do grupo Renault, afirma em entrevista que acredita que a marca tem expertise nesse tipo de SUV Coupé e podem voltar ao Brasil com isso
A Renault Geely investirá mais R$ 2 bilhões no Brasil para produzir um novo SUV coupé 100% inédito e híbrido na fábrica de São José dos Pinhais (PR). O modelo usará a plataforma GEA, da Geely, que atuará de forma complementar à arquitetura RGMP da Renault para acelerar a eletrificação nacional, incluindo a picape Niagara. A fábrica paranaense também nacionalizará gradualmente a produção do Geely EX2, que teve seu lançamento antecipado pelo alto potencial de mercado.
O novo investimento da Renault Geely no Brasil prevê a nacionalização de modelos, a produção de um novo veículo da Renault e a introdução de novas tecnologias. Em entrevista ao Jornal do Carro, Fabrice Cambolive, Chief Growth Officer do Renault Group e CEO da marca Renault, e Ariel Montenegro, presidente e diretor-geral da Renault Geely do Brasil, detalharam parte dos planos para a operação brasileira.
A declaração reforça a informação de que o próximo SUV nacional da Renault terá uma proposta diferente dos atuais modelos da marca. O novo veículo será produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR) sobre a plataforma GEA, arquitetura da Geely que também serve de base para o EX5 EM-i, já produzido na unidade paranaense.
Mais R$ 2 bilhões para ampliar a operação
O novo ciclo de investimentos complementa os R$ 3,8 bilhões anunciados anteriormente pela Renault para a operação brasileira. Agora, a empresa adicionou outros R$ 2 bilhões ao projeto, destinados à produção do novo Renault e à introdução de tecnologias, incluindo a eletrificação.
"O novo carro da Renault, da marca Renault, é um carro 100% novo. Para ele, anunciamos também a introdução do full hybrid. É um complemento daqueles R$ 3,8 bilhões. Um complemento para fazer a transição e tornar a operação mais versátil", explicou Montenegro.
O desenvolvimento do novo veículo também está incluído nesse processo. Além da plataforma, o projeto envolve engenharia, pesquisa e desenvolvimento e os demais custos relacionados à criação de um novo produto.
GEA e RGMP serão complementares
A chegada da plataforma GEA não significa, segundo Ariel Montenegro, o abandono da RGMP, arquitetura que já é utilizada pela Renault no Brasil e que dará origem a novos produtos da marca.
Questionado se as duas plataformas poderiam disputar espaço dentro da operação brasileira, Montenegro afirmou que elas terão funções complementares.
"Não, de forma alguma. Acho que nós temos muito orgulho da capacidade da plataforma RGMP. Eu olho para o mercado brasileiro e vejo que as duas plataformas são complementares", explicou.
Segundo o executivo, a RGMP também possui capacidade para receber diferentes níveis de eletrificação. A plataforma será utilizada, por exemplo, no futuro sistema E-Tech Full Hybrid 4x4 Flex anunciado pela Renault.
Montenegro também destacou que a arquitetura poderá atender a diferentes necessidades do mercado brasileiro, inclusive com possibilidade de utilização em veículos totalmente elétricos.
"Acho que são totalmente complementares. E, nesse período em que a eletrificação está crescendo, acredito que ainda temos um espaço grande para tecnologias de menor nível de eletrificação, principalmente pela competitividade e pelas necessidades do Brasil", afirmou.
A Renault trabalha, portanto, com duas frentes tecnológicas para sua operação nacional. De um lado está a RGMP, com utilização global e possibilidade de compartilhar desenvolvimento e escala com outras operações do grupo. De outro, a GEA, que passa a fazer parte da estratégia da operação brasileira por meio da parceria com a Geely.
Montenegro destacou ainda a integração industrial realizada na fábrica de São José dos Pinhais. Segundo ele, a operação brasileira alcançou o mesmo nível de integração produtiva para as duas arquiteturas, envolvendo etapas como carroceria, pintura, montagem e sistemas de segurança.
Eletrificação chegará a outros modelos
A Renault já confirmou que a Niagara terá uma versão eletrificada equipada com o sistema E-Tech Full Hybrid 4x4 Flex. O modelo será produzido no Paraná a partir da transição industrial que ocorrerá na fábrica, ocupando o espaço atualmente destinado à Oroch.
Questionado sobre a possibilidade de o Kardian também receber uma versão eletrificada, Montenegro afirmou que a Renault ainda não definiu publicamente qual será o próximo modelo a receber a tecnologia.
"Ainda não falamos qual será", disse.
O executivo ressaltou que a estratégia atual passa pela priorização dos investimentos e das equipes responsáveis pela execução dos projetos.
Cambolive já havia confirmado que a eletrificação será ampliada dentro da gama Renault. "A eletrificação vai chegar a todos os segmentos", resumiu Montenegro durante a entrevista.
A Renault também confirmou a adoção de um sistema híbrido em um novo modelo nacional. Embora a empresa ainda não tenha revelado oficialmente qual será o veículo, o Jornal do Carro pode cravar que será o Renault Borela. A tecnologia fará parte da nova etapa de produtos produzidos em São José dos Pinhais.
Geely EX2 nacionalizado
Outro produto que fará parte da nova fase da operação é o Geely EX2. Segundo Montenegro, o modelo será produzido de ponta a ponta no Brasil, embora inicialmente ainda utilize componentes importados da China.
"O Geely EX2 passa a ser feito de ponta a ponta aqui no Brasil. No início, teremos componentes chegando da China e, progressivamente, vamos aumentar o nível de localização", explicou.
Entre os componentes que inicialmente deverão ser importados está a própria carroceria. Montenegro afirmou que, no começo da produção nacional, a carroceria provavelmente virá já estampada da China, enquanto a Renault Geely avança na estrutura necessária para ampliar a fabricação local.
"No começo, a carroceria provavelmente virá estampada, porque estamos fazendo esse processo", afirmou o executivo.
A nacionalização seguirá uma estratégia gradual, semelhante à adotada nos demais projetos da fábrica. A empresa começa com componentes importados e, conforme o volume de produção aumenta, amplia progressivamente o índice de conteúdo local.
"Com a priorização, vamos antecipá-lo. A gente vai continuar a localização progressiva da mesma forma que fizemos nos outros projetos. Integramos todo o processo produtivo e começamos com o primeiro lote de peças. Depois, conforme o volume aumentar, avançamos na localização", disse.
A antecipação do EX2 ocorreu após a Renault Geely avaliar o potencial comercial do modelo. Segundo Montenegro, o desempenho inicial das vendas levou a empresa a antecipar a chegada do modelo, que não estava previsto originalmente para essa data.
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