Recebe Bolsa Família ou BPC e mora sozinho? Veja quando o CRAS pode visitar sua casa
A flexibilização vale até julho de 2027, mas cadastros com indícios de irregularidade ainda podem passar por verificação presencial.
Quem aparece no Cadastro Único como uma família formada por apenas uma pessoa continua sujeito às ações de revisão e averiguação do governo federal. No entanto, as regras sobre visitas domiciliares mudaram recentemente e nem todo beneficiário que mora sozinho precisa obrigatoriamente receber uma equipe em casa para manter o pagamento.
Desde julho de 2026, um acordo homologado pela Justiça Federal estabeleceu uma flexibilização temporária para as chamadas famílias unipessoais. Até julho de 2027, a falta de uma entrevista realizada no domicílio não pode, sozinha, impedir a atualização do CadÚnico ou a manutenção do Bolsa Família. No caso do BPC, a flexibilização também alcança inscrição, concessão e manutenção do benefício.
O atendimento poderá ser realizado presencialmente nos postos responsáveis pelo Cadastro Único, dependendo da situação da família.
Quando a visita continua obrigatória?
A flexibilização não acabou com as entrevistas domiciliares. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), elas permanecem obrigatórias para famílias unipessoais que buscam entrar pela primeira vez no Bolsa Família.
Também são exigidas quando o cadastro está em averiguação por indícios de irregularidade identificados por cruzamento de dados ou em procedimentos específicos de apuração.
O próprio CadÚnico informa que os registros de pessoas que declaram morar sozinhas passaram a receber atenção porque foram identificados casos em que o cidadão aparecia como família unipessoal, embora dividisse a residência com outras pessoas. Quem estiver nessa situação deve corrigir as informações.
Regra dos 16%
O Bolsa Família também mantém um limite de referência para novas famílias unipessoais. A regulamentação estabelece que esse público pode representar até 16% das famílias beneficiárias do programa em cada município. Quando a proporção é alcançada, há restrição para novas entradas, mas a regra possui exceções.
Entre elas estão indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, catadores de materiais recicláveis, famílias em situação de violação de direitos ou insegurança alimentar e outros grupos previstos pela regulamentação. Famílias que realizaram entrevista domiciliar também aparecem entre as exceções.
Portanto, o percentual de 16% não significa que benefícios já pagos sejam automaticamente cancelados quando o município ultrapassa essa marca.
Cadastro precisa ficar atualizado
Outro ponto importante é o prazo de atualização. Programas que utilizam o CadÚnico devem observar o período máximo de 24 meses para atualização cadastral. Famílias podem começar a ser convocadas antes de completar esse prazo.
No Bolsa Família, quem for convocado para revisão e não regularizar as informações dentro do prazo pode ter o pagamento bloqueado. Se a pendência continuar, poderá ocorrer cancelamento.
Para o BPC, o cadastro também precisa permanecer atualizado a cada dois anos. O INSS prevê notificações e prazos para regularização antes de medidas como suspensão ou cessação do pagamento.
A orientação é acompanhar mensagens nos aplicativos oficiais, manter endereço, renda e composição familiar corretos e procurar o posto do CadÚnico ou o CRAS quando houver convocação.
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