Por que mulheres pelo mundo estão queimando foto do Aiatolá Ali Khamenei?
No Reino Unido, manifestantes ouvidas pelo The Guardian esperam que a dissidente Maryam Rajavi seja a primeira presidente mulher do Irã
Um gesto que se tornou viral nas redes sociais é carregado de simbolismo: Em várias partes do mundo, mulheres ateiam fogo em fotografias do aiatolá Ali Khamenei, do Irã, e utilizam as chamas para acender cigarros. Trata-se de um ato de desobediência explícita às normas ultraconservadoras impostas desde a revolução de 1979.
O movimento, que já atingiu quase 200 cidades, teve início como um clamor contra o aumento desenfreado do custo de vida. No entanto, em pouco tempo, a pauta evoluiu para uma crítica contundente à permanência dos líderes religiosos no poder e às leis restritivas que impõem o uso do véu, colocando o país em um isolamento social comparável apenas ao Afeganistão.
Ali Khamenei: entenda a revolta
A memória de Mahsa Amini, a jovem morta em 2022 sob custódia da "polícia da moralidade", continua sendo o combustível das atuais revoltas. Os números da repressão, embora difíceis de verificar de forma independente devido ao controle estatal, são alarmantes. Segundo a ONG Hrana, o balanço de mortes desde o final de dezembro já ultrapassa 500 vítimas.
Além disso, o total de detidos pelo regime supera a marca de 10 mil pessoas. As imagens de protesto, que começaram a circular a partir de grupos da diáspora iraniana no Canadá e ganharam o mundo. Mostram que a resistência feminina não é apenas uma questão de vestimenta, mas um desafio à própria estrutura de autoridade do líder supremo. Enquanto o governo mantém o silêncio sobre os dados oficiais de vítimas, o cigarro aceso nas cinzas de uma imagem oficial torna-se a face visível de uma nação que clama por mudanças profundas.
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— SilencedSirs◼️ (@SilentlySirs) January 10, 2026