Por que as estrelas não aparecem nas fotos da Nasa da missão Artemis II? Entenda o mistério
A ausência de pontos brilhantes no fundo das imagens espaciais possui uma explicação técnica baseada na física da luz
A recente jornada da missão Artemis II trouxe ao público registros impressionantes que capturaram a atenção do mundo inteiro. Durante o último final de semana e nesta segunda-feira (6), a Nasa divulgou uma série de imagens que mostram a Terra e a Lua com uma nitidez surpreendente. Os registros foram realizados enquanto a espaçonave passava pelo satélite natural, marcando um momento crucial antes do início da fase de retorno ao nosso planeta. Equipadas com mais de trinta câmeras e dispositivos tecnológicos avançados, as naves conseguem registrar detalhes minuciosos das superfícies celestes, mas um detalhe costuma intrigar os entusiastas da astronomia: o fundo completamente escuro e desprovido de estrelas.
O desafio técnico do alto contraste no espaço sideral
Essa escuridão profunda cria um contraste visual marcante que gera questionamentos sobre a veracidade ou a composição das fotografias espaciais. Afinal, o sistema complexo onde estamos inseridos é repleto de outros planetas e estrelas que deveriam, em teoria, estar visíveis. Para esclarecer essa dúvida comum, o astrofísico Jaziel Goulart Coelho, vinculado ao Núcleo de Astrofísica, Gravitação e Cosmologia da Universidade Federal do Espírito Santo, explica ao g1 que os astros distantes estão presentes no cenário, mas a técnica fotográfica impede que sejam registrados simultaneamente com objetos muito iluminados.
A ciência por trás da exposição curta nas câmeras
Segundo o especialista, a grande diferença de luminosidade entre os corpos celestes próximos e os distantes é o fator determinante para o resultado final das imagens. Jaziel Goulart Coelho afirma ao g1 que "a Lua e a Terra iluminadas pelo Sol são extremamente brilhantes. Já as estrelas, embora luminosas, são muito mais fracas em comparação. Isso cria um problema clássico de fotografia chamado alto contraste. Para registrar bem a superfície da Lua e mesmo da Terra, a câmera usa uma exposição curta. Com exposição curta, as estrelas não aparecem". Essa configuração é necessária para que os detalhes da Terra não fiquem excessivamente claros ou sem definição.
Entenda a luz refletida e a nitidez das fotos da Nasa
O fenômeno pode ser comparado a situações cotidianas de fotografia noturna em ambientes urbanos. Se uma pessoa tenta fotografar alguém posicionado diretamente sob a luz de um poste utilizando uma velocidade de captura rápida, o fundo da imagem ficará inevitavelmente escuro, ocultando qualquer detalhe do céu. No ambiente espacial, essa dinâmica é ainda mais severa devido à ausência de atmosfera para dispersar a luz. Como o objetivo principal da missão Artemis II é monitorar a geologia lunar e a trajetória da nave, os equipamentos são ajustados para priorizar a luz refletida pelas superfícies massivas, sacrificando o brilho sutil das estrelas distantes em prol da clareza técnica necessária para a ciência.
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