PL expulsa deputado após críticas a Trump e elogio a Moraes
O Partido Liberal decidiu, nesta semana, pela expulsão do deputado Antônio Carlos Rodrigues. A medida foi confirmada pelo presidente da sigla, após forte pressão da bancada, e ocorre dias depois de o parlamentar elogiar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As declarações foram dadas em entrevista ao portal Metrópoles, publicada nesta quinta-feira (31). Na ocasião, Rodrigues classificou como desproporcional a decisão do governo norte-americano de aplicar a Lei Magnitsky ao magistrado brasileiro.
"É o maior absurdo que já vi na minha vida política. O Alexandre é um dos maiores juristas do país, extremamente competente. Trump tem que cuidar dos Estados Unidos. Não se meter com o Brasil como está se metendo", disse o deputado durante a entrevista.
Por que a fala incomodou o partido?
A Lei Magnitsky permite que os Estados Unidos imponham sanções contra estrangeiros envolvidos em corrupção ou violações graves de direitos humanos. No caso de Moraes, as sanções foram anunciadas na quarta-feira (30) e incluem restrições financeiras e comerciais, como acesso limitado a plataformas de tecnologia e serviços bancários.
As críticas a Donald Trump geraram forte reação entre os integrantes do PL, partido alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), admirador declarado do político republicano. A insatisfação foi levada ao comando da legenda, que decidiu pelo desligamento do parlamentar.
A expulsão foi formalizada por meio de nota assinada por Valdemar Costa Neto, presidente do partido. No texto, ele afirmou: "Antônio Carlos Rodrigues acaba de ser expulso do Partido Liberal (PL). A pressão da nossa bancada foi muito grande. Nossos parlamentares entendem que atacar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma ignorância sem tamanho. Trump é o presidente do país mais forte do mundo. O que precisamos é de diplomacia e de diálogo, não de populismo barato, que só atrapalha o desenvolvimento da nossa nação. Chega de arrumar confusão. Temos que arrumar o Brasil."
Com trajetória longa dentro do PL, Rodrigues era visto como político de perfil moderado e não integrava o grupo mais próximo de Bolsonaro. Apesar disso, mantinha postura alinhada ao governo em votações estratégicas. Até a noite desta quarta-feira, ele não havia se manifestado publicamente sobre a decisão.