PGR arquiva pedido de afastamento de Dias Toffoli em caso do Banco Master
Procurador-geral Paulo Gonet decide que representação sobre suposto impedimento do magistrado em caso do Banco Master não requer providências adicionais
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento do pedido formulado por deputados federais para afastar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria de um inquérito envolvendo o Banco Master. A representação questionava a imparcialidade do magistrado após a divulgação de informações sobre uma viagem internacional realizada pelo ministro, segundo o g1.
Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC) acionaram a Procuradoria-Geral da República solicitando a declaração de impedimento e suspeição de Toffoli. O argumento central baseava-se na presença do ministro em um voo particular para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América, na companhia de um advogado que representa um dos diretores da instituição financeira investigada.
Em seu despacho, Paulo Gonet afirmou que não há medidas a serem aplicadas no momento. Segundo o procurador-geral, os fatos relatados na representação já se encontram sob análise no próprio Supremo Tribunal Federal, contando com o acompanhamento regular da PGR.
O deslocamento ocorreu em 28 de novembro de 2025, um dia após Dias Toffoli ter sido sorteado relator de um recurso ligado ao Banco Master. O magistrado viajou na aeronave de propriedade do empresário Luiz Oswaldo Pastore. No mesmo voo estavam o ex-deputado Aldo Rebelo e o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance da instituição.
O Banco Master é o foco da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras. Relatos de interlocutores do ministro indicam que Toffoli confirmou a viagem e a presença do advogado no avião, mas negou que o processo judicial tenha sido tema de conversa durante o trajeto. Segundo a defesa do magistrado, a relação de amizade é com o proprietário da aeronave, e não com os investigados.
A cronologia dos fatos apresentada indica que, em 28 de novembro, Toffoli tornou-se relator de um recurso inicial. Em 3 de dezembro, o advogado Augusto Arruda Botelho protocolou novo recurso em favor de seu cliente. Na mesma data, o ministro decidiu converter o inquérito para regime de sigilo e transferiu a competência da investigação para o STF.
A justificativa para a decretação do segredo de justiça, segundo interlocutores de Toffoli, reside na proteção de dados econômicos que poderiam causar instabilidade no mercado financeiro. O Supremo Tribunal Federal informou que não emitirá pronunciamentos sobre o episódio. Até a publicação desta reportagem, o ministro não enviou esclarecimentos diretos.