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Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz em meio a ataques entre Irã e EUA, na pior escalada desde acordo de paz

27 jun 2026 - 12h05
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Um navio-tanque informou ter sido atingido por um ‌projétil no Estreito de Ormuz neste sábado, disse a agência de segurança marítima britânica, depois que os Estados Unidos e o Irã lançaram ataques mútuos na pior escalada desde que assinaram um acordo preliminar de paz.

Os lados em guerra acusaram um ao outro de violar o acordo alcançado há duas semanas para pôr fim ao conflito que já durava quatro meses. Washington afirmou ter atingido alvos iranianos durante a madrugada, enquanto o Irã declarou ter atacado alvos ligados às forças norte-americanas no ⁠sábado, em resposta.

O ataque deste sábado a um petroleiro no estreito seguiu-se a outro contra um navio de carga na quinta-feira, ‌que desencadeou a mais recente escalada. O Irã fez uma nova tentativa de afirmar seu controle sobre a rota de transporte de energia mais importante do mundo, que começou a ser reaberta nas últimas duas semanas após meses de interrupção.

A agência ‌de segurança marítima britânica UKMTO informou que o petroleiro atingido neste sábado ‌sofreu danos na ponte de comando, com toda a tripulação em segurança. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, administrado ⁠por uma coalizão de marinhas que protegem a navegação, afirmou ter elevado o nível de ameaça à segurança em decorrência dos recentes incidentes.

O Irã não comentou diretamente as notícias sobre ataques específicos a navios. Mas a televisão estatal iraniana informou que a Guarda Revolucionária havia disparado "tiros de advertência" contra embarcações não especificadas que tentavam passar por canais não aprovados pelo Irã, e que isso agora estava levando outros navios a solicitar autorizações iranianas antes de tentar atravessar o estreito.

Anteriormente, o Ministério das Relações ‌Exteriores do Irã afirmou ter lançado ataques "defensivos" contra alvos militares ligados aos EUA, enquanto o Barein, que abriga o quartel-general regional da ‌Marinha dos EUA, relatou um ataque ⁠com drones iranianos. As Forças Armadas ⁠dos EUA não responderam imediatamente aos relatos.

IRÃ AFIRMA CONTROLE SOBRE ESTREITO

O Irã acusou os Estados Unidos de não cumprirem o acordo provisório, em ⁠particular por não terem mantido o cessar-fogo prometido no Líbano, país que ‌Israel — aliado dos EUA — invadiu em março ‌em busca do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Israel e o Líbano concordaram repetidamente com cessar-fogos mediados pelos EUA, sendo que o mais recente foi anunciado na sexta-feira. Mas, até o momento, esses acordos tiveram apenas um impacto geral limitado, com Israel insistindo que não se retirará de uma faixa de território que ocupou e o Hezbollah rejeitando ⁠repetidamente os apelos para que entregue suas armas enquanto as tropas israelenses permanecerem no local.

A televisão estatal libanesa noticiou um ataque com drone israelense neste sábado na região de Nabatiyeh, no sul, que tem sofrido ataques israelenses ao longo de todo o conflito. As forças armadas israelenses afirmaram ter atacado uma pessoa que representava uma ameaça às suas forças.

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o acordo assinado no dia anterior entre ‌Israel e o Líbano, classificando-o como uma rendição, e afirmou que ele era "nulo e sem efeito".

Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, afirmou que Washington violou o memorando de entendimento que pôs fim à guerra ao apoiar o que ⁠ele chamou de "forças proxy" na região e ao criar tensões no Estreito de Ormuz.

"VIOLÊNCIA SERÁ RESPONDIDA COM VIOLÊNCIA", DIZ VANCE

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, principal negociador do presidente Donald Trump no conflito, disse que os norte-americanos respeitaram o acordo de cessar-fogo e que o Irã seria o responsável por qualquer retomada do conflito que pudesse resultar de suas ações.

"O Irã assinou um acordo de cessar-fogo. Nós o honramos. Se eles tiverem divergências sobre como o memorando de entendimento está sendo aplicado, podem ligar para nós. Mas a violência será respondida com violência", disse Vance no X.

Como tem sido comum ao longo da guerra, a escalada ocorreu no fim de semana, enquanto os mercados estão fechados, dando às partes dois dias para assumir posições rígidas e trocar tiros sem causar qualquer impacto imediato no preço do petróleo.

Anteriormente, incluindo nos dois últimos fins de semana, declarações duras na sexta-feira e no sábado foram seguidas por posições mais conciliatórias de ambos os lados a tempo da reabertura dos mercados na segunda-feira.

Antes da retomada da violência, os preços do petróleo caíram cerca de 3% na sexta-feira, caminhando para uma queda acentuada na semana.

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