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Periodontite eleva risco de artrite reumatoide

Pessoas com artrite reumatoide têm chance cerca de 1,8 vez maior de periodontite; cientistas descrevem uma bactéria capaz de ligar as duas doenças

23 out 2026 - 19h03
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Resumo
Estudos apontam forte ligação entre periodontite e artrite reumatoide: cerca de 65% dos pacientes com a doença autoimune têm a inflamação gengival. A bactéria bucal Porphyromonas gingivalis modifica proteínas por citrulinação, processo que induz o sistema imunológico a atacar as articulações. Embora preliminares, pesquisas indicam que tratar a gengiva ajuda a reduzir a atividade inflamatória da artrite, tornando o cuidado odontológico um aliado importante no acompanhamento reumatológico.

A artrite reumatoide é uma doença autoimune: o sistema de defesa do corpo passa a atacar as próprias articulações. Entre as ligações estudadas entre a gengiva e o resto do corpo, esta tem um dos mecanismos biológicos mais bem descritos, e é uma das poucas em que já existem estudos testando o efeito do tratamento da gengiva.

Foto: IA / DINO

O que os estudos mostram

Uma revisão publicada em 2024 na revista Frontiers in Immunology reuniu 33 estudos, com cerca de 49 mil pacientes com artrite reumatoide e mais de 760 mil pessoas sem a doença. A chance de ter periodontite, a inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que seguram os dentes, foi cerca de 1,8 vez maior entre quem tinha artrite reumatoide. Somando os estudos, cerca de 65% dos pacientes com artrite reumatoide tinham periodontite. Os autores lembram que a estimativa ainda pode ser refinada, já que estudos com resultado negativo nem sempre chegam a ser publicados.

A bactéria que modifica proteínas

A hipótese que liga as duas doenças envolve um processo químico específico. A Porphyromonas gingivalis, bactéria associada à periodontite, produz uma enzima capaz de modificar certas proteínas, em um processo chamado citrulinação. O próprio corpo também faz esse tipo de modificação, mas poucas bactérias conhecidas têm essa capacidade. Na artrite reumatoide, o sistema de defesa produz anticorpos justamente contra proteínas modificadas dessa forma.

A proposta é que a bactéria, ao alterar essas proteínas, leve o organismo a enxergá-las como alvo, o que pode disparar ou manter a reação autoimune. É um caminho plausível e muito pesquisado, que segue sendo confirmado em humanos.

Tratar a gengiva, um aliado

Uma análise de 2024 reuniu seis estudos com 255 participantes, todos com sorteio entre os grupos. Quem tratou a gengiva terminou, em média, com o DAS28 cerca de meio ponto (0,56) abaixo do grupo que não tratou. O DAS28 é a escala usada pelos reumatologistas para medir a atividade da doença.

É um efeito pequeno, medido em um número ainda limitado de pacientes, e que não substitui nenhum tratamento reumatológico. O que ele mostra é que o cuidado com a gengiva pode somar ao acompanhamento de quem tem artrite reumatoide, decisão que cabe à equipe responsável. Para quem tem as duas condições, o acompanhamento odontológico deve conversar com o do reumatologista. Sangramento, retração da gengiva e dentes que amolecem pedem avaliação de um cirurgião-dentista.

Dr. Fernando Costa Jr.

Cirurgião-dentista — CRO-SP 38692. Pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento por profissional habilitado.

Website: https://www.beautysmile.com.br/

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