Oposição libera plenário do Senado após protesto contra prisão de Bolsonaro
O Senado retomou seus trabalhos nesta quinta-feira (7), após um protesto que durou quase dois dias e meio. Parlamentares da oposição liberaram o plenário ocupado desde terça-feira (5), permitindo que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), conduzisse a sessão de forma remota.
A desocupação marcou o fim de uma das ações mais visíveis do grupo contrário à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada no início da semana. Ao se retirar da Mesa Diretora, o líder da mobilização no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), declarou: "Estamos nesse momento nos retirando da mesa. Estamos desobstruindo e esperamos que a partir de agora possamos discutirmos e trabalharmos as pautas que interessam a todos independente da posição ideológica."
Apesar da tensão, o uso do "bunker" do Senado — um espaço alternativo para sessões remotas — não foi necessário. Localizado no setor de tecnologia da Casa (Prodasen), o ambiente já foi utilizado durante a pandemia de Covid-19.
A mobilização da oposição surtiu efeito?
O ato coordenado por senadores e deputados buscava pressionar o Legislativo a discutir pautas específicas, como o perdão a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o fim do foro privilegiado e o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Os plenários da Câmara e do Senado foram bloqueados simultaneamente na terça-feira.
Na Câmara, as atividades foram retomadas na noite de quarta, em meio a empurra-empurra e tensão entre os parlamentares. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), conseguiu abrir a sessão, embora não tenha havido votações. O gesto foi visto como uma tentativa de reafirmar autoridade diante da pressão.
No Senado, Davi Alcolumbre convocou a sessão desta quinta após conversas com líderes partidários. Em nota, o presidente afirmou que não aceitaria "intimidações nem tentativas de constrangimento". Na véspera, já havia alertado que o Congresso "não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento."
Entre os temas da sessão remota, está a análise do projeto que reajusta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos. O texto, com teor idêntico ao de uma medida provisória aprovada pela Câmara, precisa ser votado até 11 de agosto para não perder validade.
"Seguiremos votando matérias de interesse da população, como o projeto que assegura a isenção do Imposto de Renda para milhões de brasileiros que recebem até dois salários mínimos. A democracia se faz com diálogo, mas também com responsabilidade e firmeza", concluiu Alcolumbre.