Olívia, a macaca que mudou a vida de bióloga inspira criação de santuário para animais silvestres
Instituto Olívia está sendo construído com doações para acolher animais resgatados do tráfico, de maus-tratos e de acidentes que não podem mais voltar à natureza Desde criança, Alice tinha um sonho que não parecia muito comum
Instituto Olívia está sendo construído com doações para acolher animais resgatados do tráfico, de maus-tratos e de acidentes que não podem mais voltar à natureza
Desde criança, Alice tinha um sonho que não parecia muito comum.
Enquanto outras crianças imaginavam o que fariam quando crescessem, ela já sabia que queria cuidar de animais. A paixão a levou a cursar Biologia e, há 18 anos, a prestar concurso para trabalhar em um zoológico.
Mas foi a chegada de uma macaca-prego chamada Olívia que transformou esse desejo em um projeto de vida.
Hoje, a pequena primata de quatro anos é parte da família e também dá nome a um sonho que começou a sair do papel: a construção do Instituto Olívia, um santuário destinado a animais silvestres que, por diferentes motivos, não podem mais retornar à natureza.
A iniciativa está sendo construída exclusivamente com doações e, atualmente, precisa de recursos para avançar na construção dos recintos e cumprir as etapas necessárias para obter a aprovação dos órgãos responsáveis pelo funcionamento do espaço.
A macaca que mudou tudo
Olívia chegou à vida de Alice de uma maneira inesperada.
Recebida como herança, a macaca-prego acabou se tornando parte inseparável da família. A convivência com ela também abriu uma nova possibilidade para um sonho antigo.
A tutora começou a publicar vídeos de Olívia nas redes sociais sem imaginar a dimensão que aquela história alcançaria.
Aos poucos, milhares de pessoas passaram a acompanhar a rotina da macaca.
Hoje, a comunidade formada em torno do conteúdo reúne mais de 1,5 milhão de pessoas.
Foi nesse momento que um sonho que parecia individual ganhou uma dimensão muito maior.
"Talvez esse sonho não precise ser só meu", conta a criadora.
Um lugar para quem não pode voltar para a natureza
A ideia do Instituto Olívia nasceu de uma pergunta: o que acontece com os animais silvestres que são resgatados, mas não têm condições de retornar ao ambiente natural?
Segundo a descrição do projeto, muitos chegam depois de situações de tráfico, maus-tratos, acidentes ou períodos prolongados em cativeiro.
Alguns perderam parte do corpo. Outros não aprenderam comportamentos necessários para sobreviver sozinhos ou passaram tanto tempo sob cuidados humanos que uma soltura poderia representar risco para a própria vida.
Nesses casos, a proposta do santuário é oferecer um espaço permanente de cuidado.
"Não é um zoológico para exposição. Não é um lugar para entretenimento. É um lar", explica a criadora no vídeo de divulgação da campanha.
A proposta é que os animais recebam segurança, cuidados e qualidade de vida pelo restante de suas vidas, quando o retorno à natureza não for possível.
Do sonho ao primeiro terreno
No início de 2025, a bióloga decidiu compartilhar publicamente o projeto.
Ela explicou que tinha disposição e conhecimento para trabalhar, mas faltava um recurso essencial: dinheiro para comprar um terreno e iniciar a construção do santuário.
A resposta surpreendeu.
Pessoas que acompanhavam o trabalho de Olívia abraçaram a ideia e ajudaram a arrecadar o valor necessário para a compra do terreno.
Em julho do mesmo ano, começou a construção da casa-sede.
O local, que antes tinha apenas vegetação, começou a ganhar as primeiras estruturas do projeto.
Desde então, as obras avançam conforme novos recursos são arrecadados.
Agora, o desafio são os recintos
Com o terreno e a casa-sede em construção, o Instituto Olívia entrou em uma nova etapa: a construção dos recintos que irão receber os animais.
É também uma das fases mais caras do projeto.
Cada estrutura envolve materiais, mão de obra, equipamentos e adequações necessárias para que o espaço possa funcionar de acordo com as exigências dos órgãos responsáveis.
A família explica que ainda não existe um orçamento final para concluir toda a obra, justamente porque os custos continuam surgindo conforme a construção avança.
A meta estabelecida é de R$ 200 mil. Até o momento, foram arrecadados cerca de R$ 13,4 mil.
"Eu não consigo construir esse lugar sozinha"
A proposta do Instituto Olívia não nasceu apenas da relação entre uma mulher e uma macaca.
Ela cresceu a partir de uma comunidade que passou a acreditar no mesmo projeto.
"Eu não consigo construir esse lugar sozinha. Talvez você também não consiga, mas milhares de pessoas fazendo um pouquinho conseguem", afirma Alice.
Os recursos arrecadados serão destinados à continuidade das obras e à estruturação do santuário.
A expectativa é que, depois de concluídas as etapas necessárias e obtidas as autorizações dos órgãos responsáveis, o espaço possa começar a receber animais que precisam de um lugar permanente para viver.
Um sonho que começou com Olívia
A macaca-prego que inspirou o projeto talvez nunca conheça todos os animais que serão acolhidos pelo Instituto que leva seu nome.
Mas foi a partir dela que uma ideia ganhou forma.
Primeiro veio o desejo de cuidar de animais.
Depois, uma macaca que mudou uma vida.
Em seguida, uma comunidade de mais de 1,5 milhão de pessoas.
Agora, existe um terreno, uma casa-sede e uma obra que ainda precisa avançar.
O objetivo é construir um lugar onde animais que perderam a possibilidade de voltar à natureza possam encontrar segurança e cuidado.
E a próxima parte dessa história depende de muitas mãos.
A Vakinha do Instituto Olívia tem meta de R$ 200 mil e recebe contribuições de qualquer valor. Quem não puder doar também pode ajudar compartilhando o projeto.
"Um dia, quando esse santuário estiver pronto, cada recinto, cada árvore, cada animal salvo vai existir porque milhares de pessoas decidiram fazer parte dele."
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