O que se sabe sobre recuperação judicial do Grupo Casas Bahia?
Varejista afirma que juros elevados, crédito mais caro, inadimplência e forte concorrência pressionaram as operações; grupo também anunciou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026
O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A companhia declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões e afirmou que enfrenta uma combinação de juros elevados, crédito restrito, aumento das despesas financeiras e pressão sobre o consumo das famílias.
O pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais e envolve dez empresas do grupo. Entre elas estão as responsáveis pelas marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além do e-commerce Extra.com, da fabricante de móveis Bartira e de empresas ligadas às áreas de logística e tecnologia.
Do total da dívida informada à Justiça, R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, que não possuem garantias específicas. Outros R$ 754 milhões são referentes a credores trabalhistas, enquanto R$ 154 milhões estão relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.
Crise financeira se aprofunda
A companhia afirma que a atual situação financeira é resultado de uma série de fatores acumulados nos últimos anos. Segundo a petição, investimentos em tecnologia, logística e digitalização começaram em 2019, período em que a taxa básica de juros estava em níveis muito inferiores aos atuais.
A mudança no cenário econômico aumentou significativamente o custo de financiamento da empresa. A Selic, que chegou a 2% ao ano entre o fim de 2020 e o início de 2021, posteriormente avançou para patamares elevados, pressionando a estrutura financeira da varejista.
O grupo também aponta o aumento da inflação, a redução do poder de compra de famílias de menor renda e a alta da inadimplência como fatores que dificultaram a recuperação das vendas.
Outro desafio foi a transformação do mercado de varejo. A expansão de plataformas digitais aumentou a concorrência e obrigou grandes redes tradicionais a acelerar investimentos em comércio eletrônico, logística e tecnologia.
Casas Bahia já havia feito reestruturação
O novo pedido ocorre cerca de dois anos depois de a companhia concluir uma recuperação extrajudicial. Em abril de 2024, a empresa havia conseguido reestruturar aproximadamente R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras.
Na tentativa de reduzir despesas, o grupo lançou em 2023 um plano de transformação que incluiu redução de estoques, cortes de custos e fechamento de lojas consideradas deficitárias. As medidas, porém, não foram suficientes para interromper a deterioração dos resultados financeiros.
A empresa informou ainda a demissão de aproximadamente 3 mil funcionários, de um quadro de 30.117 trabalhadores. O plano também prevê o fechamento de quase 300 lojas.
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