Nordeste reúne 57% dos analfabetos do Brasil e mantém maior taxa do país
Dados do IBGE mostram que o Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do Brasil. Região possui 4,8 milhões de pessoas sem alfabetização básica.
O Nordeste permanece como a região com o maior número de analfabetos do país. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, mostram que mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever no Brasil vive nos estados nordestinos.
Segundo o levantamento, o país possui atualmente 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais consideradas analfabetas. Desse total, cerca de 4,8 milhões estão concentradas no Nordeste, o equivalente a uma taxa regional de 10,6%. Embora o índice tenha apresentado queda em comparação ao ano anterior, quando atingia 11,1%, os números ainda evidenciam um desafio histórico para a educação brasileira.
A pesquisa considera analfabetas as pessoas que não conseguem ler e escrever um bilhete simples, indicador utilizado internacionalmente para medir o acesso básico à alfabetização.
Nordeste lidera índice nacional de analfabetismo
Enquanto o Nordeste registra taxa de 10,6%, as demais regiões apresentam índices significativamente menores. O Norte aparece em segundo lugar, com 5,7%, seguido pelo Centro-Oeste, com 3,3%. Já Sul e Sudeste registram os menores percentuais do país, com 2,4% e 2,3%, respectivamente.
A diferença entre as regiões revela um cenário de desigualdade educacional construído ao longo de décadas. Especialistas apontam que fatores econômicos, sociais e históricos contribuíram para que determinadas áreas do país tivessem acesso mais tardio à expansão da rede escolar e das políticas públicas de educação.
Em muitas localidades nordestinas, especialmente em áreas rurais, o acesso à escola por gerações foi limitado por questões geográficas, falta de infraestrutura e baixos investimentos educacionais em períodos passados.
Queda do analfabetismo é vista como avanço
Apesar do cenário desafiador, os dados mostram uma trajetória de redução do analfabetismo. O percentual registrado em 2025 é menor que o observado no ano anterior, indicando que programas educacionais e ações de alfabetização continuam produzindo resultados.
A diminuição acompanha uma tendência nacional. O Brasil atingiu sua menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica recente, com 4,9% da população de 15 anos ou mais sem alfabetização básica.
Especialistas destacam que a melhoria dos indicadores está relacionada à ampliação do acesso à educação básica, ao fortalecimento de programas voltados para jovens e adultos e ao aumento da permanência dos estudantes nas escolas.
Desafio ainda afeta milhões de brasileiros
Mesmo com os avanços observados nos últimos anos, o analfabetismo continua impactando diretamente a vida de milhões de pessoas. A dificuldade de leitura e escrita limita oportunidades de emprego, reduz o acesso à informação e dificulta a participação plena na sociedade.
No Nordeste, o desafio ganha proporções ainda maiores devido ao elevado contingente populacional afetado. Para educadores, a continuidade de investimentos em alfabetização, educação básica e qualificação de jovens e adultos será fundamental para acelerar a redução dos índices nos próximos anos.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam que o país avançou no combate ao analfabetismo, mas também mostram que a desigualdade educacional entre as regiões brasileiras continua sendo um dos principais desafios para a construção de um sistema de ensino mais equilibrado e inclusivo.
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