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Netanyahu ordena bloqueio da Cisjordânia após ataque

23 out 2026 - 08h46
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Resumo
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o bloqueio total da Cisjordânia e o cerco a Hebron após um ataque a tiros deixar ao menos cinco israelenses feridos e dois agressores mortos nesta sexta-feira. A medida, por tempo indeterminado, restringe a circulação palestina e intensifica operações militares a poucos dias das eleições em Israel, em meio à escalada de violência que já deixou centenas de mortos na região desde o início da guerra contra o Hamas em Gaza.

Bloqueio da região ocorre poucos dias antes da eleição que definirá o futuro de Netanyahu. Decisão foi tomada após tiroteio na região. Não foi informado quanto tempo medida ficará em vigor.O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23/10) o "bloqueio total" da Cisjordânia após um ataque armado que deixou ao menos cinco feridos perto da cidade de Hebron, localizada no sul desse território ocupado pelos israelenses.

"Dei instruções às Forças de Defesa de Israel (FDI) e às forças de segurança para que cerquem imediatamente a cidade de Hebron e se preparem para um fechamento total de toda a região da Judeia e Samaria [denominação israelense para a Cisjordânia], com efeito a partir de hoje", afirmou Netanyahu em comunicado divulgado em seus canais oficiais.

O comunicado não especifica quanto tempo durará o fechamento, portanto ainda não está claro qual será seu impacto sobre a circulação da população palestina.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura da extrema direita conhecida por posições extremistas, afirmou que o ataque em Hebron demonstra que Israel precisa restringir a liberdade de circulação dos palestinos na Cisjordânia ocupada.

Tiroteio

Pouco antes do anúncio, ocorreu um tiroteio no entroncamento de Judeia, próximo a Hebron. Segundo uma fonte militar israelense consultada pela agência de notícias EFE, os agressores chegaram armados com um fuzil M16 e uma pistola, com os quais abriram fogo contra vários israelenses no local.

O Exército afirmou ter impedido um "ataque terrorista". Dois supostos agressores foram mortos no local. Suas identidades não foram divulgadas.

Equipes de emergência afirmaram que cinco pessoas ficaram feridas, algumas gravemente, e estavam sendo transferidas para hospitais em Israel. Em nota, os socorristas disseram que disparos ainda estavam em andamento quando chegaram ao local do ataque, perto do entroncamento de Yehuda, pela manhã.

Segundo os socorristas, dois homens na faixa dos 20 anos sofreram ferimentos por arma de fogo nos membros inferiores, sendo que um deles estava inconsciente e gravemente ferido. As autoridades informaram que uma investigação estava em andamento.

Bloqueio da região

Algumas horas depois, Israel ordenou que o Exército se preparasse para um fechamento total da Cisjordânia. O gabinete de Netanyahu informou que instruiu as forças de segurança a isolar imediatamente a cidade de Hebron e a se preparar para fechar completamente toda a Cisjordânia a partir desta sexta-feira.

Na nota, Netanyahu elogiou os soldados israelenses que atuaram para conter o ataque e anunciou o reforço das operações de segurança e novas detenções em toda a Cisjordânia ocupada. "Perseguiremos os terroristas do Hamas e aqueles que os enviam: em qualquer lugar e a qualquer momento. Eles não têm onde se esconder", acrescentou.

O ataque fatal ocorre num momento em que os eleitores israelenses decidirão na próxima terça-feira se concederão a Netanyahu mais um mandato como primeiro-ministro ou se inaugurarão uma nova fase na política israelense. A eleição acontece três anos após os ataques liderados pelo Hamas contra Israel que desencadearam a guerra em Gaza.

Desde o ataque do Hamas contra Israel, em 07 de outubro de 2023, a violência se agravou na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967. Segundo um balanço elaborado pela agência de notícias AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestino, pelo menos 1.113 palestinos foram mortos na região desde então, a maioria por soldados israelenses. Já as Nações Unidas registaram o assassinato de 37 palestinos cometidos por colonos israelenses.

Segundo os números divulgados por Israel, pelo menos 49 israelenses foram mortos no mesmo período, a maioria em ataques levados a cabo por palestinos, mas também durante operações militares.

cn (AP, AFP, EFE, Lusa)

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