"Não vou entregar o país de volta àquele bando de malucos", diz Lula sobre possível candidatura em 2026
Durante visita ao Ceará nesta sexta-feira (18), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que poderá disputar um novo mandato presidencial em 2026. A possibilidade, segundo o presidente, depende exclusivamente de sua saúde e disposição física até lá. O objetivo, declarou, é evitar que o país volte a ser governado por aqueles que, segundo ele, quase destruíram o Brasil.
"Eu quero dizer para vocês o seguinte, não se preocupe, eu vou fazer 80 anos de idade. Se eu estiver com a saúde que eu estou hoje, com a disposição que eu estou hoje, vocês podem ter certeza que eu serei candidato outra vez para ganhar as eleições nesse país", afirmou, sem citar nomes.
"Eles não voltarão", diz presidente em discurso no Nordeste
O presidente discursou durante cerimônia de anúncio de repasses federais para a ferrovia transnordestina, projeto de infraestrutura no Nordeste. No evento, adotou tom político e reafirmou seu compromisso com a continuidade de programas federais na região. "Eu não vou entregar esse país de volta àquele bando de malucos que quase destrói esse país nos últimos anos. Podem estar certos disso. Podem estar certos disso. Eles não voltarão. Eles não voltarão", disse, em meio a aplausos.
Mesmo sem mencionar diretamente Jair Bolsonaro (PL), as críticas foram interpretadas como uma referência ao antecessor e aos aliados do ex-presidente. Segundo Lula, a definição sobre uma eventual candidatura será tomada apenas em 2025.
Por que Lula evitou comentar a operação contra Bolsonaro?
Apesar das acusações que envolvem o ex-presidente, Lula não fez menção à operação da Polícia Federal, que teve Bolsonaro como alvo. A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumprida no mesmo dia da declaração do atual presidente. Entre as medidas impostas, estão o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação e locomoção.
Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro admitiu, de forma "consciente e voluntária", ter participado de uma tentativa de extorsão. As suspeitas envolvem ainda o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e, de lá, tem feito articulações políticas contrárias ao governo brasileiro.
O ex-presidente afirmou que se sentiu humilhado com as medidas: "Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada". Já a defesa classificou as ações como "severas" e disse ter recebido a decisão com "surpresa e indignação".
Na semana anterior, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. Ele relacionou a decisão à situação de Bolsonaro e pediu agilidade no desfecho do caso junto ao STF.
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