Zelenskiy, após conversa com Trump, diz que questão territorial ainda não foi resolvida
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta quinta-feira, após conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Davos, que os termos das garantias de segurança para a Ucrânia foram finalizados, mas que a questão vital do território em sua guerra com a Rússia continua sem solução.
No que ele disse ser um sinal positivo de progresso nas negociações de paz para encerrar o conflito de quatro anos, Zelenskiy disse que os negociadores da Rússia, Ucrânia e EUA realizariam reuniões trilaterais pela primeira vez em Abu Dhabi na sexta-feira e no sábado.
Ele também disse que um acordo estava quase pronto sobre a recuperação econômica após a guerra com a Rússia, um elemento-chave das propostas apoiadas por Kiev para recuar em relação a um plano de paz anterior dos EUA, visto como fortemente favorável a Moscou.
AMBOS DIZEM QUE CONVERSA FOI POSITIVA
Zelenskiy e Trump -- que já se encontraram meia dúzia de vezes desde que Trump retornou à Casa Branca no ano passado e alterou a política dos EUA em relação à Ucrânia -- disseram que a conversa desta quinta-feira foi positiva.
"Acho que a reunião com o presidente Zelenskiy foi boa. É um processo em andamento", disse Trump aos repórteres, afirmando que os enviados dos EUA estavam indo para conversas em Moscou nesta quinta-feira. Perguntado sobre qual era sua mensagem para Putin, Trump respondeu: "A guerra tem que acabar".
Zelenskiy, que não indicou ter discutido território com Trump nesta quinta-feira, havia dito anteriormente que só viajaria a Davos se pudesse assinar acordos com Trump sobre garantias de segurança dos EUA e financiamento de reconstrução pós-guerra para a Ucrânia.
Zelenskiy tem enfrentado uma crise de energia em seu país devido aos ataques aéreos russos que deixaram milhões de ucranianos em áreas da capital e de outras regiões sem energia e aquecimento.
Zelenskiy descreveu o ataque de meses da Rússia como uma tentativa de Putin de congelar os ucranianos até a morte.
Invocando a operação de Trump para capturar o líder venezuelano Nicolás Maduro para enfrentar acusações perante um tribunal dos EUA, ele se perguntou em voz alta por que Putin ainda não estava sendo julgado.
O enviado dos EUA para a Ucrânia, Steve Witkoff, havia dito a uma plateia no Fórum Econômico Mundial, nesta quinta-feira, que estava havendo um bom progresso nas negociações de paz, depois de se reunir com autoridades ucranianas e russas em Davos.
"Se ambos os lados quiserem resolver o problema, nós o resolveremos", disse Witkoff.
CONVERSAS COM PUTIN EM MOSCOU
Witkoff deveria chegar em Moscou mais tarde nesta quinta-feira, juntamente com o colega enviado dos EUA, Jared Kushner -- genro de Trump -- para conversar com Putin sobre o possível plano para acabar com a guerra mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Após essas discussões, os negociadores iriam diretamente para Abu Dhabi, disse Witkoff nesta quinta-feira, "onde haverá conversas entre militares e discussões sobre o pacote de prosperidade".
A Rússia tem sido fria em relação ao esforço de paz liderado pelos EUA, exigindo que Kiev abra mão de parte de sua região oriental de Donetsk, que Moscou não conseguiu conquistar, apesar de estar avançando no campo de batalha.
Putin disse na noite de quarta-feira que eles discutiriam um acordo sobre a Ucrânia e a possibilidade de usar ativos russos congelados para a reconstrução de terras ocupadas por Moscou, bem como a proposta de Trump para um Conselho da Paz, encarregado de promover a paz em todo o mundo.
O Kremlin disse que a reunião de Putin com Witkoff e Kushner ocorreria após as 19h (horário de Moscou).