Voluntário veterano procura vítimas entre os escombros após terremoto na Colômbia
Aos 67 anos, Julio César Pineda diz se sentir com a força de um guerreiro e, sendo muitas, já perdeu a conta das pessoas que resgatou com vida no terremoto que assolou a Colômbia no início desta semana e em outro terremoto ocorrido há quase três décadas.
Seus 1,63 metro de altura e 60 quilos são um de seus principais pontos fortes na hora de se infiltrar em espaços apertados, nas montanhas de escombros de prédios e casas que desabaram na cidade de Pereira devido ao terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país sul-americano.
Conhecido popularmente como "Rescate", Pineda também atuou como socorrista voluntário no terremoto na cidade vizinha de Armênia, em 1999, que deixou mais de 1.000 mortos.
"Essa experiência me atingiu bem de perto; eu tinha uma casinha aqui bem perto de Pereira e lá uma parede inteira desabou. A partir daí, a única coisa que fiz foi pegar umas luvas — que eu usava quando trabalhava em empresas de limpeza em Pereira —, pegar essas luvas, pegar um capacete e sair para salvar vidas", comentou Pineda à Reuters.
Embora naquela ocasião tenha havido mais vítimas fatais, Pineda admite que os danos em Pereira, em termos de destruição, são muito maiores agora.
"Em termos de estruturas, Pereira desabou; Pereira é uma bomba de Hiroshima, é como se tivessem nos explodido do céu", relatou com a voz embargada.
Segundo dados oficiais, pelo menos 273 pessoas perderam a vida, incluindo 93 em Pereira.
FARO DE CÃO DE CAÇA
Além das equipes oficiais de resgate, milhares de civis participam dos trabalhos de resgate em Pereira, removendo com as próprias mãos pesados pedaços de concreto e ferro em busca de vítimas.
"Se alguém ficou preso lá, lá vou eu... Nós, os mais velhos, sabemos disso. Sabemos o que é isso. Tenho faro de cão de caça, sou uma toupeira, sou louco por isso", disse Pineda com orgulho.
Embora não mantenha contagem, ele se lembra de ter resgatado duas mulheres, alguns homens e três cães em diferentes pontos da cidade.
"Só Deus sabe quantos; não sou o herói que faz grandes feitos, Deus me coloca à disposição para me esforçar e fazer um pouquinho, porque são milhares, milhões de pessoas", disse Pineda.
Como a maioria dos socorristas voluntários, ele não recebe salário, por isso ganha a vida esculpindo e trabalhando com artesanato.
"Isso não é remunerado; o único que nos recompensa é Deus, dando-nos saúde e fazendo com que minha família também esteja viva", afirmou.
O experiente socorrista admite que a reconstrução vai demorar muito, mas está pronto para ajudar.
"Enquanto Deus me permitir, continuaremos com essa energia", afirmou. "Meu coração sempre me disse isso: vou morrer salvando vidas."
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