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Vítimas de abuso sexual na Igreja na Espanha pedem encontro com papa Leão XIV

Denunciantes de casos na Abadia de Montserrat pediram suspensão de visita a mosteiro

2 jun 2026 - 12h33
(atualizado às 12h52)
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Vítimas de abuso sexual na Igreja Católica pediram ao papa Leão XIV que se reúna com elas durante sua visita à Espanha e alertaram que, caso não sejam atendidas, realizarão uma manifestação em frente à Nunciatura Apostólica.

Papa visitará Espanha entre 6 e 12 de junho
Papa visitará Espanha entre 6 e 12 de junho
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Ao mesmo tempo, Miguel Hurtado, a primeira pessoa a denunciar abusos na Abadia de Montserrat, em Barcelona, enviou uma carta ao pontífice pedindo que suspenda sua visita ao mosteiro durante a viagem ao país, prevista para ocorrer entre 6 e 12 de junho.

"É incoerente o Papa falar sobre inteligência artificial, mudanças climáticas, imigração ou paz mundial, mas permanecer em silêncio sobre a impunidade de que gozam os predadores sexuais diante da Justiça civil, porque seus crimes prescreveram", afirmaram Hurtado e outras vítimas.

"As vítimas de pedofilia na Igreja são o elefante na sala que o papa Leão XIV e a hierarquia católica espanhola se recusam a abordar durante sua viagem à Espanha", acrescentaram.

Além da suspensão da visita papal, Hurtado exige um plano abrangente de reparação para as vítimas do mosteiro, incluindo indenizações financeiras.

Após a recusa da Abadia de Montserrat em indenizá-lo pelos abusos sofridos em 1998, quando era menor de idade, Hurtado terá de recorrer à Justiça cível. A defesa da instituição sustenta que não há obrigação de pagamento, pois o caso está prescrito tanto na esfera criminal quanto na civil.

O Vaticano não divulga informações sobre encontros privados do Papa durante suas viagens, incluindo aqueles com vítimas de abuso sexual. Em geral, esses encontros se tornam públicos posteriormente por iniciativa dos participantes.

"Tenho certeza de que, dentro da agenda privada, haverá momentos para o Papa estar com as pessoas que mais precisam dele. Quando soubermos, o que provavelmente acontecerá depois, divulgaremos", disse hoje Fernando Giménez, coordenador-geral adjunto da visita papal, durante uma entrevista coletiva.

Para Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação ANIR Infância Roubada, se Leão XIV não se reunir com as vítimas, isso representará "mais uma ofensa da Igreja contra suas vítimas, uma atitude muito distante dos princípios da doutrina social da Igreja e da recente encíclica Magnifica Humanitas, além de mais um exemplo perverso da prática generalizada e agora lendária de ocultar as vítimas, tentando transformá-las em culpadas, enquanto protege pedófilos e seus acobertadores".

Segundo Hurtado, caso não recebam uma resposta ao pedido de audiência até sexta-feira (5), associações de vítimas realizarão uma manifestação diante da Nunciatura Apostólica, em Madri, no próximo dia 8 de junho, data em que o Papa tem encontro previsto com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

"Seria paradoxal o Papa se encontrar com todos ? líderes políticos, voluntários, presos, parlamentares ? e não se reunir com as vítimas da pedofilia clerical, justamente quando elas lhe pediram esse encontro", declarou Hurtado à imprensa, do lado de fora da Nunciatura Apostólica, onde Leão XIV ficará hospedado durante sua estadia na capital espanhola.

Os antecessores de Leão XIV, Bento XVI e Francisco, reuniram-se com vítimas de abuso sexual durante viagens apostólicas. Na Espanha, representantes das vítimas tiveram um encontro, há quatro anos, com o então presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), cardeal Juan José Omella. Foi a última reunião entre associações de vítimas e a hierarquia da Igreja no país.

Em 30 de março, foi firmado um sistema inédito de indenizações entre o Estado espanhol e a Igreja para casos em que a via judicial já não é possível devido à prescrição dos crimes. O mecanismo implementa um acordo previamente firmado entre o governo e a CEE.

O valor das indenizações será determinado pelo Defensor do Povo, instituição que recebeu mandato do Congresso dos Deputados para investigar os abusos cometidos no âmbito da Igreja Católica.

O movimento "Reparação Integral Já", criado por Hurtado, reúne vítimas de abuso sexual que denunciam instituições religiosas por descumprirem os compromissos assumidos no acordo entre o Estado e a Igreja.

"Não acredito que todas as ordens religiosas e dioceses concordarão em pagar indenizações. Há um claro risco de descumprimento, e o Papa, ao vir aqui, está incentivando esse tipo de comportamento", afirmou Hurtado.

Em seu relatório, o Defensor do Povo não estima o número total de vítimas, mas cita uma pesquisa segundo a qual 1,13% dos adultos espanhóis sofreram abusos em ambientes religiosos.

Ansa - Brasil
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