Vice-premiê alerta para possível tentativa russa de influenciar eleições na Itália
Tajani defendeu necessidade de intervir com antecedência para evitar qualquer ação do tipo
O vice-premiê italiano Antonio Tajani alertou para o risco de interferência da Rússia nas próximas eleições da Itália e da União Europeia, pedindo vigilância e medidas preventivas. Ele destacou o reforço da segurança cibernética nacional contra ataques russos já recorrentes. Tajani também afirmou que a Itália é favorável ao uso de ativos russos congelados em apoio à Ucrânia, desde que haja fundamentação jurídica sólida para viabilizar o confisco.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, alertou nesta quarta-feira (2) que a Rússia poderá tentar influenciar as próximas eleições gerais da Itália, previstas para o próximo ano.
Segundo ele, a possibilidade de interferência russa deve ser considerada como uma questão que afeta toda a União Europeia.
"Não se pode descartar a possibilidade de tentativas de influenciar as eleições nos países onde ocorrem votações", disse Tajani ao chegar ao encontro informal dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia, conhecido como Gymnich, em Wicklow, na Irlanda.
"Estou convencido de que isso pode acontecer, e é por isso que precisamos intervir com antecedência", acrescentou o chanceler.
Tajani afirmou que não descarta ações da "Federação Russa destinadas a interferir na vida democrática" dos países do bloco europeu. Para ele, eventuais tentativas de influenciar eleições livres para alterar a vontade dos eleitores seriam "verdadeiramente inaceitáveis".
"Devemos estar vigilantes e impedir tais ações de um país com o qual não estamos em guerra", declarou.
O ministro também destacou que o governo italiano vem adotando medidas para se preparar contra possíveis ameaças. Tajani citou uma reforma no Ministério das Relações Exteriores, que, desde 1º de janeiro, conta com uma direção-geral dedicada à segurança política e operacional.
De acordo com o vice-premiê da Itália, seu ministério mantém ainda uma sala de operações funcionando 24 horas por dia para responder a ataques cibernéticos contra as estruturas diplomáticas italianas e o próprio governo.
Além disso, afirmou que muitos desses ataques têm origem em hackers russos e lembrou um episódio ocorrido durante a primeira visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à Itália.
"Quando o avião pousou no Aeroporto de Ciampino, eu estava lá para recepcionar o presidente ucraniano. Houve um ataque ao site do Ministério das Relações Exteriores", relatou.
Para o ministro, o episódio demonstra que existem precedentes e reforça a necessidade de vigilância para proteger os processos democráticos europeus.
Ativos russos congelados - Durante o encontro na Irlanda, Tajani também foi questionado sobre a possibilidade de utilizar ativos russos congelados para financiar ou apoiar a Ucrânia.
Na ocasião, o ministro afirmou que a Itália não se opõe, em princípio, à utilização desses recursos, mas ressaltou que a medida precisa ter respaldo jurídico.
"Não nos opomos em princípio, mas precisamos verificar se existem fundamentos jurídicos para tal", afirmou.
De acordo com Tajani, a questão já foi discutida diversas vezes pela União Europeia e em outros fóruns internacionais, mas uma decisão não foi tomada justamente diante das dúvidas jurídicas relacionadas ao confisco e à utilização dos ativos.
"A questão sempre foi a possibilidade de problemas legais. Já discutimos isso muitas vezes, e a decisão não foi tomada precisamente por esse motivo, não de uma perspectiva política, mas sim jurídica", concluiu. .
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