Veto da UE contra carne brasileira vira problema para famoso embutido italiano
Bresaola de Valtellina utiliza 82% de matéria-prima da América do Sul
A suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia, motivada por exigências sanitárias sobre antibióticos, ameaça a produção da tradicional bresaola na Itália. Como 60% da matéria-prima do embutido vem do Brasil, a restrição provocou uma alta de 15% nos custos do setor. Com estoques limitados para até três meses e sem alternativas imediatas para suprir a demanda, os produtores italianos enfrentam incertezas enquanto o Brasil busca se adequar para reverter o embargo.
A decisão da União Europeia de suspender as importações de carne bovina do Brasil, em vigor desde 3 de setembro, acendeu um alerta em Valtellina, vale situado na região da Lombardia, norte da Itália.
É de lá que sai a bresaola, embutido de carne bovina curada e maturada que tem Indicação Geográfica Protegida (IGP) e que depende fortemente da matéria-prima brasileira.
O paradoxo é explicado pelo regulamento do produto, que exige que a produção seja realizada na província de Sondrio, mas não que a carne seja italiana. Hoje, segundo o consórcio de produtores de bresaola, citado pelo site Il Post, 82% da matéria-prima usada no embutido chega da América do Sul, e 60% é proveniente do Brasil.
"O bloqueio vai retirar de imediato pelo menos 25% da matéria-prima de que precisamos", afirmou Mario Moro, presidente do Consorzio di Tutela Bresaola della Valtellina, ao jornal Il Sole 24 Ore.
A associação reúne 13 empresas e cerca de 1,5 mil trabalhadores. Em 2025, o consórcio produziu 11,9 mil toneladas de bresaola, com valor estimado em 502 milhões de euros (R$ 3 bilhões).
O problema começou quando a UE anunciou a criação de uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal com base no cumprimento de regras sobre antimicrobianos e antibióticos. O Brasil ficou fora da relação, que passou a valer em setembro e atinge carne bovina, de frango, equina, ovos e mel.
Desde o anúncio, o preço da carne bovina usada na bresaola subiu 15%, e as empresas tentaram formar estoques de segurança, mas a medida teve efeito limitado. Segundo Moro, os produtores têm reservas para apenas dois ou três meses.
Argentina, Paraguai e Uruguai estão em conformidade com as regras europeias, mas a capacidade de oferta é limitada e não cobre a demanda italiana no curto prazo.
Segundo a UE, a suspensão será revogada somente quando o Brasil demonstrar controles adequados sobre o uso de antimicrobianos e antibióticos na criação de gado, e o prazo para a retomada das exportações é incerto.
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