Vaticano alerta lefebvrianos contra ordenação de novos bispos e ameaça cisma
Fraternidade anunciou em fevereiro que daria continuidade à consagração episcopal
O Vaticano voltou a endurecer o tom contra a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador fundado em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), excomungado por ter se oposto às reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (13) pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, afirmou que a eventual ordenação de novos bispos sem autorização papal configuraria um "ato cismático" e poderia levar à excomunhão dos envolvidos.
Segundo o religioso, as ordenações episcopais anunciadas pela fraternidade "não possuem o correspondente mandato pontifício".
"A adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus e acarreta a excomunhão prevista pelo direito canônico", destaca.
O Vaticano informou ainda que o papa Leão XIV continua rezando para que os responsáveis pela fraternidade reconsiderem a decisão e retomem o diálogo com Roma.
"O Santo Padre continua em suas orações, pedindo ao Espírito Santo que ilumine os líderes da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, para que possam reconsiderar a gravíssima decisão que tomaram", enfatiza a nota.
A tensão entre a Santa Sé e os lefebvrianos se intensificou após o grupo anunciar, em 19 de fevereiro, que daria continuidade à consagração de novos bispos, mesmo diante dos apelos de Fernández para evitar uma ruptura definitiva. Ele alertou para possíveis "graves consequências" e reforçou a importância de manter aberto o canal de diálogo.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com sede na Suíça, já chegou a entrar em ruptura com a Igreja Católica, situação que se consolidou com a excomunhão, em 1988, de quatro bispos consagrados por Lefebvre sem mandato apostólico. Em 2009, o então papa Bento XVI revogou essas excomunhões.
Posteriormente, o falecido papa Francisco adotou medidas de reconhecimento pastoral, autorizando que sacerdotes da fraternidade possam, em determinadas circunstâncias, celebrar sacramentos como o matrimônio. .
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