Unicef cobra proteção a menores em protestos na França
Órgão da ONU apelou que forças de ordem 'reduzam a violência'
O Unicef cobrou do governo francês a proteção de menores e a redução da violência em meio a protestos estudantis pelo país, onde jovens sofreram ferimentos graves em ações policiais. Enquanto a polícia francesa investiga cerca de 20 denúncias de abusos, o governo nega o uso desproporcional da força e afirma que os agentes agem com discernimento. As mobilizações reuniram mais de 70 mil pessoas em todo o território nacional, resultando em cerca de 500 detenções e 50 agentes feridos.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um apelo nesta quinta-feira (8) ao governo da França para que "reduza a violência" e "proteja os menores" em meio à onda de protestos estudantis que ocorrem em todo o país.
A representação francesa do órgão da ONU pediu às autoridades locais que garantam e respeitem o direito dos jovens de "manifestarem-se pacificamente".
Em nota, o Unicef ressaltou que as operações de manutenção da ordem pública devem levar em consideração a idade dos manifestantes, evitando "tratar as multidões como um grupo homogêneo e distinguindo os autores de atos violentos daqueles que se expressam de forma pacífica".
"Os adolescentes têm o direito de ser ouvidos e de participar das decisões que impactam seu futuro. A manifestação livre e segura é um direito fundamental de crianças e adolescentes", declarou a entidade.
Desde o início das mobilizações estudantis, diversos menores sofreram ferimentos graves em decorrência de intervenções das forças de segurança. A Corregedoria da Polícia da França já instaurou quase 20 investigações internas para apurar os episódios de supostos abusos.
Em resposta às acusações de uso excessivo da força, a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, negou o uso desproporcional do contingente policial e afirmou que os estudantes não correm "nenhum perigo".
"Não há armamento desproporcional na França. Quando confrontados com bloqueios em escolas de ensino médio, os policiais sabem avaliar o cenário e agir com proporcionalidade e discernimento", defendeu a porta-voz.
De acordo com o Ministério do Interior da França, pouco mais de 500 pessoas foram detidas nesta quinta-feira. Ao menos 50 policiais e gendarmes ficaram feridos durante os atos, que mobilizaram mais de 70 mil pessoas em todo o território francês.
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