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Trump relaciona desprezo por Nobel da Paz à ameaça sobre Groenlândia; UE prepara retaliação

19 jan 2026 - 17h31
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinculou seu desejo de assumir o controle da Groenlândia ao fato de não ter sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, dizendo que já não pensa mais "puramente na paz", enquanto a disputa pela ilha ameaça reacender uma guerra comercial com a Europa.

Trump se recusou a dizer em uma entrevista à ‌NBC News se usaria a força para tomar a Groenlândia. Reiterou, no entanto, sua ameaça de atingir nações europeias com tarifas caso um acordo não seja alcançado.

O norte-americano intensificou sua pressão ‌para retirar da Dinamarca, membro da Otan, a soberania sobre a Groenlândia, o que levou a União Europeia a considerar a possibilidade de revidar com suas próprias medidas.

A disputa ameaça abalar a Otan, aliança que sustenta a segurança ocidental há décadas que já vinha sendo tensionada pela guerra na Ucrânia e pela recusa de Trump em proteger os aliados a menos que eles aumentem os gastos com defesa.

A ameaça de Trump abalou o setor industrial europeu e provocou ondas de choque nos mercados financeiros. Investidores temem um retorno à volatilidade da ‍guerra comercial de 2025, que só diminuiu quando as partes chegaram a acordos tarifários, no meio do ano.

Em uma mensagem de texto no domingo para o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, Trump disse: "Caro Jonas: Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para ‌os Estados Unidos da América".

O governo da Noruega divulgou as mensagens nesta segunda-feira.

Stoere enviou uma mensagem inicial com o presidente finlandês, ‌Alexander Stubb, pedindo uma diminuição das tensões, o que provocou a resposta de Trump menos de meia hora depois.

O Comitê Norueguês do Nobel irritou Trump ao conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2025 não a ele, mas à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.

Na mensagem, Trump repetiu sua acusação de que a Dinamarca não pode proteger a Groenlândia da Rússia ou da China.

"... E por que eles têm um 'direito de propriedade', afinal?", escreveu, acrescentando: "O mundo não está seguro a menos que tenhamos o controle total e completo da Groenlândia".

Trump prometeu, no sábado, implementar uma onda de tarifas crescentes a partir de 1º de fevereiro sobre os membros da UE Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Finlândia, além do Reino Unido e da Noruega, até que os EUA tenham permissão para comprar a Groenlândia, lar de 57.000 pessoas.

"Estamos vivendo em 2026, você pode negociar com pessoas, mas não negocia pessoas", disse o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, durante uma visita a Londres nesta segunda-feira.

Em uma publicação no Facebook, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que o território deveria ter permissão para decidir seu próprio destino.

"Não vamos nos deixar pressionar. Mantemo-nos firmes no diálogo, no respeito e no direito internacional", disse ele.

O Exército da Dinamarca disse à Reuters que seus soldados aterrissariam nesta segunda-feira em Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, como parte de um exercício militar.

Stoere, da Noruega, disse que mudaria sua agenda para participar do Fórum Econômico Mundial em Davos na quarta e quinta-feira, coincidindo com a aparição prevista de Trump no encontro anual da elite política e empresarial global. O país não mudará sua posição em relação à Groenlândia, disse o ministro das Relações Exteriores do país, Espen Barth Eide.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que também tentaria se encontrar com Trump na quarta-feira, acrescentando que não há interesse em uma disputa comercial.

"Mas se formos confrontados com tarifas que consideramos irracionais, então ‌somos capazes de responder", disse Merz.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que seria "muito imprudente" que os governos europeus retaliassem.

"Acho que é um completo absurdo que o presidente faça isso por causa do prêmio Nobel. O presidente está considerando a Groenlândia como um ativo estratégico para os Estados Unidos", disse ele a jornalistas em Davos.

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