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Trump decidirá em breve sobre acordo com o Irã e diz que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto

29 mai 2026 - 14h09
(atualizado às 20h26)
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O presidente dos ‌Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que iria decidir em breve sobre uma proposta de acordo para estender o cessar-fogo com o Irã, embora os dois países ainda pareçam divergir em questões significativas que têm sido centrais para o conflito.

Trump disse na manhã de sexta-feira que se reuniria na Casa Branca para fazer uma "determinação final" sobre a proposta, que estenderia uma trégua do início de abril por mais 60 dias, dando aos negociadores tempo para forjar um fim permanente para a guerra.

Uma autoridade ⁠da Casa Branca disse que a reunião na Sala de Situação durou cerca de duas horas, mas não disse se Trump havia tomado ‌uma decisão.

"O presidente Trump só fechará um acordo que seja bom para os Estados Unidos e que satisfaça suas linhas vermelhas. O Irã nunca poderá ter uma arma nuclear", disse a autoridade.

Uma fonte sênior iraniana disse à Reuters que um acordo ‌estava próximo, mas ainda não havia sido aprovado.

No entanto, Trump também disse que ‌o Irã teria que encerrar com seu domínio sobre o Estreito de Ormuz e desmantelar sua capacidade de fabricar uma ⁠arma nuclear -- duas condições com as quais Teerã não concordou.

"O Irã precisa concordar que nunca terá uma arma ou bomba nuclear. O Estreito de Ormuz precisa ser imediatamente aberto, sem pedágios, para o tráfego marítimo irrestrito, em ambas as direções", disse Trump, acrescentando que o material nuclear seria "desenterrado" pelos EUA.

A agência de notícias semioficial do Irã Fars, citando fontes, disse que os comentários de Trump foram uma "tentativa de retratar uma vitória fabricada".

A fonte sênior iraniana, falando sob condição de anonimato, disse que o acordo potencial ‌não inclui a questão nuclear, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na TV estatal que a ‌gestão do estreito deve ser decidida por ⁠Irã e Omã.

A Fars disse que ⁠o estreito será reaberto sob as condições de Teerã depois que os EUA suspenderem seu bloqueio aos navios iranianos.

O secretário do Tesouro dos EUA, ⁠Scott Bessent, disse que o bloqueio dos EUA seria removido lentamente, se isso ‌acontecesse.

A Fars disse que houve um acordo ‌para liberar US$12 bilhões dos ativos congelados do Irã.

Trump disse que nenhum dinheiro seria trocado "até segunda ordem" -- uma possível referência às exigências do Irã para pagamentos de pedágio no estreito, reparações de danos de guerra ou uma liberação de ativos iranianos congelados.

Os preços do petróleo caíram e as ações subiram nesta sexta-feira com a notícia do possível acordo. 

TRUMP SOB ⁠PRESSÃO

Trump está sob pressão para reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços da gasolina nos EUA antes das eleições para o Congresso em novembro, conforme os eleitores demonstram uma frustração crescente com o aumento dos preços. Ao mesmo tempo, ele enfrenta uma possível reação contrária de setores linha-dura sobre o Irã dentro de seu próprio partido, diante de quaisquer concessões a Teerã.

A guerra lançada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro matou milhares ‌de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e causou problemas econômicos ao redor do mundo ao elevar os preços da energia devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Em sua postagem no Truth Social, Trump disse que as minas ⁠seriam removidas do estreito e que os navios retidos lá poderiam começar a voltar para casa: "Digam OLÁ para suas esposas, maridos, pais e famílias da minha parte, seu presidente favorito!"

O Cazaquistão sinalizou que está disposto a tomar posse do estoque de urânio enriquecido do Irã, próximo aos níveis necessários para armas nucleares, caso os EUA cheguem a um acordo com o Irã, disse ao Financial Times o chefe da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi.

O Cazaquistão abriga um banco de urânio de baixo enriquecimento controlado internacionalmente para garantir o fornecimento de combustível para usinas de energia nos países membros da Agência Internacional de Energia Atômica.

O Irã também quer que as sanções sejam suspensas, que as forças dos EUA sejam retiradas da região e que qualquer acordo de paz também acabe com a ofensiva de Israel, aliado dos EUA, no Líbano.

Israel deslocou centenas de milhares de pessoas com uma investida profunda no Líbano em busca do principal aliado do Irã, o grupo Hezbollah.

Os ataques israelenses atingiram o sul e o leste do Líbano, além de sua capital, Beirute, matando mais de 3.200 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano. Israel afirma que 23 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.

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