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Terremotos matam mais de 160 pessoas e provocam devastação na Venezuela

Equipes de socorro seguem em busca de vítimas nos escombros

25 jun 2026 - 08h06
(atualizado às 08h15)
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A Venezuela viveu uma noite de terror na última quarta-feira (24), quando dois fortes terremotos, de magnitudes 7.2 e 7.5 na escala Richter, atingiram o país em sequência, provocando uma das maiores tragédias naturais de sua história recente.

O último balanço oficial, atualizado na manhã desta quinta (25), aponta pelo menos 164 mortos e cerca de mil feridos, números que ainda podem crescer à medida que as equipes de resgate avançam nos escombros.

A presidente interina Delcy Rodríguez declarou estado de emergência e pediu calma e união à população para "salvar vidas". "Tivemos 20 réplicas. A situação é grave, muitas zonas foram duramente atingidas. Não haverá aulas nos próximos dias, e ativamos as operações de saúde pública", afirmou a mandatária em pronunciamento.

O estado de La Guaira, que abriga o principal porto da Venezuela, é o mais afetado, segundo as autoridades. "É uma verdadeira tragédia", declarou Rodríguez, confirmando dezenas de edifícios destruídos ou gravemente danificados na cidade de cerca de 40 mil habitantes, localizada a apenas 20 quilômetros de Caracas.

Na capital, ao menos uma dezena de edifícios desabou completamente. Imagens que circulam nas redes sociais mostram agentes de polícia e bombeiros cavando entre os escombros enquanto isolam as áreas atingidas.

No município de Chacao, a leste de Caracas, o prefeito Gustavo Duque confirmou a existência de vítimas e informou que 150 socorristas estão no local, com pedido de reforço para empresas privadas da construção civil.

No bairro de Altamira, na capital, um prédio de 22 andares ruiu por completo. Familiares desesperados clamavam pelos nomes dos entes queridos enquanto voluntários escalavam os destroços. "Precisamos de lanternas", pedia um dos socorristas.

Uma moradora da Avenida Bolívar, em Catia, oeste de Caracas, descreveu o momento de pânico: "Tudo estava desabando sobre nós. As televisões caíram no chão. Parecia um filme de terror. Durou cerca de dois minutos".

Muitas pessoas passaram a noite ao ar livre por medo de réplicas

Falha geológica

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o primeiro tremor, de 7.2, ocorreu às 19h04 (horário de Brasília), com epicentro 21 quilômetros a oeste da cidade costeira de Morón. Menos de um minuto depois, uma segunda sacudida, de magnitude 7.5, foi registrada a 45 quilômetros de distância da primeira.

De acordo com especialistas, o fenômeno foi causado por um "movimento transcorrente superficial" ao longo de uma falha entre as placas tectônicas do Caribe e Sul-Americana. Isso consiste em um deslizamento lateral das placas tectônicas, que raspam uma na outra de forma paralela.

As profundidades reduzidas dos epicentros - 20 e 10 quilômetros, respectivamente - potencializaram a destruição.

Os tremores, classificados como os mais fortes registrados no norte do país nos últimos 126 anos, foram sentidos até na capital colombiana, Bogotá, onde alarmes soaram e moradores evacuaram prédios.

Em San Felipe, capital do estado venezuelano de Yaracuy e próxima ao epicentro, a população permaneceu nas ruas durante toda a noite, com medo de novas réplicas. A cidade está sem energia elétrica, e as comunicações telefônicas foram comprometidas, restando apenas aplicativos de mensagens.

"Estamos sem luz e com muito medo. As pessoas estão em estado de choque", relatou a jornalista local Patricia Torres, em contato com a ANSA.

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, foi fechado, e o governo também determinou a interrupção do serviço de metrô em Caracas. Como medida preventiva, o fornecimento de gás doméstico foi suspenso nas áreas afetadas para evitar explosões e incêndios.

O USGS não descarta a possibilidade de novas réplicas de acomodação nos próximos dias, enquanto equipes continuam trabalhando ininterruptamente na tentativa de localizar sobreviventes e prestar assistência às vítimas.   

Ansa - Brasil
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