Terremoto de magnitude 7,4 provoca tsunami no norte do Japão
Um terremoto de 7,4 graus de magnitude atingiu o norte do Japão nesta segunda‑feira (20), informou a Agência Meteorológica do Japão (JMA), que emitiu alerta para ondas de tsunami de até três metros. O governo da primeira‑ministra Sanae Takaichi informou ter mobilizado uma equipe de gestão de crise para monitorar a situação.
Frédéric Charles, correspondente da RFI em Tóquio, e agências
O tremor foi registrado pouco antes das 17h (5h em Brasília) no oceano Pacífico, ao largo da costa da província de Iwate, no norte do país. Os abalos foram tão intensos que grandes edifícios chegaram a balançar em Tóquio, a várias centenas de quilômetros do epicentro.
"Abandonem imediatamente as regiões costeiras e as áreas próximas a rios e sigam para um local mais seguro, como terrenos elevados ou um edifício de evacuação", ordenou a JMA. "Não deixem as zonas seguras até a suspensão do alerta", acrescentou a agência em comunicado.
Várias cidades portuárias, entre elas Otsuchi e Kamaishi, determinaram a evacuação de milhares de moradores, segundo a emissora pública NHK. No entanto, a violência do tremor dificultou o deslocamento da população, sobretudo nos primeiros minutos após o abalo. Ainda assim, as estruturas antissísmicas do país conseguiram absorver parte significativa da energia liberada.
Uma onda de tsunami de cerca de 80 centímetros foi observada pouco depois das 17h30 (5h30 em Brasília) em um porto da cidade de Kuji, no norte do país, aproximadamente 41 minutos após o terremoto principal, informou a JMA. A agência alertou para a possibilidade de novas ondas, que podem chegar a até três metros de altura. "As ondas do tsunami podem atingir a costa repetidas vezes", ressaltou a NHK.
Temor de um novo e mais intenso terremoto
De acordo com a JMA, existe o risco de uma réplica de maior magnitude, igual ou superior a 8,0, nas próximas horas. "A probabilidade de ocorrência de um novo e poderoso terremoto é considerada relativamente mais alta do que em condições normais", afirmou a agência. Nesse cenário, "não se pode descartar a ocorrência de um tsunami de grande porte ou de fortes tremores adicionais", acrescentou.
Imagens divulgadas pela NHK não mostravam, até o início da noite, danos visíveis ou imediatos em diversos portos da província de Iwate. Nenhuma vítima ou destruição significativa havia sido confirmada até o momento, declarou o secretário‑chefe do gabinete japonês, Minoru Kihara, durante entrevista coletiva.
Círculo de Fogo do Pacífico
O Japão está entre os países com maior atividade sísmica do mundo por situar‑se sobre a confluência de quatro grandes placas tectônicas, na margem ocidental do chamado Círculo de Fogo do Pacífico. O arquipélago, que abriga cerca de 125 milhões de habitantes, registra quase 1.500 tremores por ano e concentra aproximadamente 18% da atividade sísmica global. A maioria dos abalos é de baixa intensidade, mas os danos variam conforme a profundidade e a localização do epicentro.
Em 2011, um terremoto de magnitude 9,0 provocou um tsunami devastador que deixou cerca de 18.500 mortos ou desaparecidos e desencadeou o pior acidente nuclear desde Chernobyl, na usina de Fukushima.
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