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Surto de Ebola no Congo é segundo maior já registrado, segundo dados recentes

Menos de três meses desde o início do surto, a doença já matou cinco vezes mais pessoas do que os surtos anteriores

31 jul 2026 - 12h09
(atualizado às 13h00)
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Pessoas em hospital no Congo após confirmação de surto de Ebola
 16 de maio de 2026     REUTERS/Victoire Mukenge
Pessoas em hospital no Congo após confirmação de surto de Ebola 16 de maio de 2026 REUTERS/Victoire Mukenge
Foto: Reuters

O ‌surto de Ebola que se espalha rapidamente na República Democrática do Congo é agora o segundo maior já registrado no mundo, segundo dados do governo divulgados nesta sexta-feira, à medida que a transmissão continua a superar os esforços para conter a epidemia.

O número ⁠de casos registrados em todo o Congo subiu para 3.532, informou ‌o Ministério das Comunicações em comunicado, com 1.556 mortes registradas.

"É a epidemia de Ebola que se espalha mais rapidamente que ‌já vimos", disse Carl Skau, chefe ‌interino do Programa Mundial de Alimentos da ONU, à Reuters ⁠nesta semana. "O mundo precisa prestar muito mais atenção."

Menos de três meses desde o início do surto, a doença já matou cinco vezes mais pessoas do que os surtos anteriores haviam matado na mesma fase, de acordo com a principal agência de saúde ‌pública da África, os Centros Africanos de Controle e Prevenção de ‌Doenças.

O surto é causado ⁠pela rara ⁠cepa Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual não há vacina ou tratamento ⁠aprovado.

As equipes de saúde também ‌enfrentam a insegurança e ‌ataques a unidades de saúde em todo o leste do Congo, onde atuam dezenas de grupos armados, enquanto cortes drásticos na ajuda internacional têm sobrecarregado os recursos.

Os números mais recentes ⁠sobre o surto indicam que apenas o surto ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016 foi maior, com 28.616 casos e 11.310 mortes registradas na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa, de acordo com ‌a Organização Mundial da Saúde.

Angele Gapio, chefe de emergências da instituição de caridade Caritas na cidade de Bunia, no nordeste ⁠do país, disse que as campanhas de conscientização estão falhando e que os profissionais da linha de frente estão exaustos e traumatizados.

"A doença já se instalou na comunidade", disse ela à Reuters. "As pessoas continuam buscando tratamento com curandeiros tradicionais, e a cadeia de transmissão persiste."

A OMS afirmou no início deste mês que a verdadeira dimensão do surto poderia ser até quatro vezes maior do que sugerem os números oficiais.

A Reuters informou nesta semana que os esforços de vigilância estão sobrecarregados devido à falta de veículos, à escassez de pessoal e à desconfiança da comunidade.

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