Senado rejeita pedido de presidente do Paraguai para adiar impeachment
Santiago Peña está no centro do colapso do banco digital Ueno
O Senado do Paraguai rejeitou o pedido de adiamento do presidente Santiago Peña e iniciou seu processo de impeachment de forma imediata. O chefe de Estado é alvo do escândalo da liquidação do banco Ueno, que prejudicou cerca de três milhões de correntistas. Peña criticou o curto prazo para sua defesa, alegando violação do devido processo legal. Paralelamente, milhares de cidadãos realizam protestos em Assunção contra a classe política, temendo a perda definitiva de suas economias.
O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) um pedido de prorrogação apresentado pelo presidente do país, Santiago Peña, e o convocou ao Congresso Nacional para dar início imediato ao processo de impeachment.
No centro de um escândalo envolvendo a liquidação do banco Ueno, que afetou o patrimônio de quase três milhões de correntistas, o mandatário havia solicitado um prazo adicional de 72 horas para preparar sua defesa técnica, após o Parlamento rejeitar a proposta de sua renúncia voluntária ao cargo.
"Estão me exigindo uma resposta às acusações em menos de 12 horas. Isso não é devido processo legal. Pretendo apresentar minha versão dos fatos ao público, ainda que isso seja desconfortável para muitos atores políticos. Jamais vacilarei em meu compromisso com os cidadãos, especialmente em momentos difíceis como este", declarou Peña.
Enquanto o Parlamento paraguaio estrutura a abertura da sessão extraordinária de julgamento político contra o chefe de Estado, milhares de clientes mantêm protestos nas ruas, alimentados pela incerteza sobre a recuperação das economias desaparecidas após o colapso da instituição financeira.
Apesar de o Banco Central do Paraguai (BCP) ter iniciado nesta sexta-feira o cronograma oficial para ressarcimento gradual dos depósitos, manifestantes ? muitos vestindo camisas da seleção paraguaia ? permanecem em vigília na praça em frente ao Congresso, à sede da autoridade monetária e ao Ministério do Trabalho, em Assunção.
Em atos de indignação pública, correntistas queimaram cartões de débito e crédito inutilizados do banco Ueno, entoando palavras de ordem contra a classe política e o Poder Judiciário diante do temor de impunidade dos responsáveis pela gestão do fundo. .
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